Sem "embromation"

Em evento, Delfim Netto e Eduardo Campos criticam medidas do governo para setor elétrico

"Precisamos cortar a demanda de energia através de mecanismos que reduzam o consumo - e ninguém faz isso debitando o prejuízo do setor elétrico no orçamento", afirmou o ex-ministro

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SÃO PAULO – As manobras de proteção às companhias do setor elétrico, adotadas pelo governo, não desagradaram apenas a agência de classificação de risco Fitch – que na véspera afirmou que o apoio de hoje poderá significar maior intervencionismo do Estado amanhã. Nesta terça-feira (18), em evento “Diálogos para o futuro”, realizado pela revista Carta Capital, foi a vez do ex-ministro da fazenda, Delfim Netto, e o governador de Pernambuco (e potencial candidato às eleições presidenciais deste ano), Eduardo Campos (PSB), apontarem os equívocos da equipe econômica de Dilma Rousseff na decisão de ajudar as companhias do setor elétrico em meio ao cenário mais adverso.

Para Delfim, o momento atual é decisivo para o setor. A redução do nível dos reservatórios brasileiros põe em risco a capacidade das hidrelétricas de abastecerem todo o País, aumentando assim a possibilidade de haver racionamento ou “apagão” ainda neste ano. O ex-ministro, antes mais conhecido como conselheiro da presidência, alertou ainda que medidas paliativas como a dos subsídios ao setor elétrico recentemente anunciadas pouco podem ajudar em um prazo mais esticado. O que deve ser feito, em sua visão é dar mais autonomia ao mercado para que a situação se normalize naturalmente. O governo pretende injetar R$ 21 bilhões para auxiliar as empresas elétricas.

“Não adianta empurrar com a barriga. Precisamos cortar a demanda de energia através de mecanismos que reduzam o consumo – e ninguém faz isso debitando o prejuízo do setor elétrico no orçamento. Pelo contrário: você só vai produzir mais inflação no futuro. Se você absorver isso no preço da energia e der ao mercado a oportunidade dele funcionar, normalmente você vai cortar o consumo de energia e eliminar essa dificuldade que hoje nos afronta e que está reduzindo a disposição de investir dos brasileiros”, afirmou Delfim no evento realizado em São Paulo.

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Na mesma linha da visão do ex-ministro, mas sem entrar em grandes detalhes sobre a questão energética, o governador do Pernambuco, Eduardo Campos, afirmou que o governo precisa ser mais transparente e evitar remendos em vez de correções mais completas dos problemas.

“As pessoas querem saber qual é a regra do jogo. Precisamos ter capacidade de dizer: ‘temos um problema e vamos enfrentá-los’. As pessoas querem ouvir a verdade. Elas não querem ouvir o ‘embromation’. Todo mundo sabe que existem problemas no setor elétrico e eles precisam ser resolvidos. Não podemos jogar os problemas para baixo do tapete, porque o tapete vai ficar com três metros de altura”, completou o possível candidato do PSB à sucessão de Dilma Rousseff.