Marcelo Odebrecht fala

Em depoimento com nova discussão entre Moro e advogado de Lula, Odebrecht diz que “complica” vida de petista

A audiência ocorreu no âmbito do processo em que o ex-presidente é acusado de receber propina da Odebrecht por meio da compra de um terreno para o Instituto Lula

SÃO PAULO – Em depoimento à Justiça Federal na última quarta-feira (11), o empresário Marcelo Odebrecht disse que, quanto mais analisa e envia para os investigadores da Operação Lava Jato seus e-mails recuperados, “mais complica” a vida do ex-presidente Lula. 

A audiência ocorreu no âmbito do processo em que o petista é acusado de receber propina da Odebrecht por meio da compra de um terreno para o Instituto Lula, em 2010, no valor de R$ 12,5 milhões. A ação já se encaminhava para a fase final, mas o empresário mostrou novas provas no processo neste ano, após passar para o regime domiciliar no fim de 2017. Ele anexou e-mails da época da negociação do terreno que não tinham sido incluídos em sua delação.

Quando questionado sobre a defesa de Lula, que reclamou do juiz federal Sérgio Moro que supostamente não teria dado acesso a íntegra dos documentos, Odebrecht afirmou já ter recuperado 3 mil e-mails, parte deles – pelo menos 54 – para esse processo. O advogado Cristiano Zanin afirmou que não teve acesso ao conteúdo integral dos e-mails e que só o questionaria em relação àqueles que o empresário selecionou, quando foi interrompido pelo delator.

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“Eu já devo ter encaminhado mais de 3 mil e-mails, entendeu? Eu digo para o senhor o seguinte: é melhor para a defesa do Lula fique com os e-mails, porque quanto mais eu vou… mais complica a vida dele”, afirmou Odebrecht. 

Zanin também voltou a discutir com Moro, quando interrompeu o juiz e disse que a defesa está sendo cerceada por não ter tido acesso à íntegra dos arquivos do computador de Marcelo Odebrecht.

A decisão do advogado foi, então, de não fazer perguntas ao delator. “Eu acho que é um pouco brincadeira da defesa”, disse Moro. Mais tarde, Zanin falou: “Vossa Excelência tem sempre gentis palavras para dirigir à defesa”. No fim do depoimento, Moro listou perguntas que Zanin havia formulado anteriormente a Odebrecht e disse que nenhuma delas dependeria do acesso aos arquivos para ser respondida. O juiz, então, aceitou dar acesso a todo o conteúdo do computador do empreiteiro. A prisão de Lula não foi mencionada.