Em Davos, Mantega e Meirelles mostram confiança na economia do Brasil

Ministro disse não estar preocupado com o déficit em conta corrente e presidente do BC falou em superação de dilema

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SÃO PAULO – A equipe econômica da delegação brasileira presente ao Fórum Econômico Mundial, em Davos, demonstrou otimismo com as perspectivas do País. O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, disse que o Brasil tem superado, nos últimos anos, antigos problemas de sua vida econômica.

“Hoje não existe mais esse dilema que existia no Brasil, entre estabilidade e crescimento. Temos crescimento com estabilidade e acredito que tenha pouco espaço de mudança do ponto de vista político, inclusive” apontou Meirelles. Ele também minimizou as preocupações acerca das eleições presidenciais que ocorrerão neste ano, lembrando que que existe no País austeridade monetária, responsabilidade fiscal e programas sociais que ajudaram a criar uma base para aumento do consumo no país.

“Não há duvida de que existe sempre uma preocupação. É normal, em qualquer país do mundo, pois sempre se discute o que o próximo governo vai fazer e se vai manter ou não”, disse .

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Despreocupado
Por sua vez, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que o Brasil não está preocupado com o déficit em conta corrente, classificando, inclusive, o evento como positivo pois deve ajudar na desvalorização o real.

Dados divulgados na semana passada mostraram que o déficit em conta corrente do Brasil chegou a US$ 24,334 bilhões em 2009, caindo em relação aos US$ 28,192 bilhões vistos em 2008, mas ainda longe dos superávits registrados nos cinco anos anteriores.

“Não estamos preocupados com isso porque temos grandes reservas”, afirmou o ministro. “Esse déficit auxiliará na taxa de câmbio, uma vez que pode haver uma desvalorização do real”, o que torna as exportações mais competitivas, disse, lembrando da forte pressão sofrida pelo governo por parte dos exportadores, que exigiam medidas para evitar a valorização excessiva da moeda nacional.

Mantega também revelou que não existe intenção, dentro do governo, de renovar os estímulos fiscais adotados ao longo de 2009 como forma de estimular a economia nacional e combater os efeitos da crise no País. “Vamos retornar aos níveis originais” disse.

Manutenção
Por outro lado, se os estímulos não serão renovados, Mantega disse que não existem motivos para uma elevação na taxa Selic. “Os prognósticos vêm daqueles que tirarão proveito (da elevação da Selic), que é o mercado financeiro”.

O acompanhamento do Ministério da Fazenda não mostra pressão de preços por questões de demanda, somente elevações causadas por fatores sazonais, disse Mantega, que previu um crescimento de 5% a 5,5% para o PIB (Produto Interno Bruto) em 2010, apesar de existirem estimativas mais otimistas.

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“O Copom (Comitê de Política Monetária) só elevaria os juros se houvesse necessidade, com violação das metas de inflação”, disse. “Não percebo rugas de preocupação na testa do Meirelles. Ele parece tranquilo.”