Em 2014

Em conversas, Dirceu discutiu nomes para ministérios de Dilma (e já previa dificuldades)

Conversas reveladas pelo Estadão mostram o ex-ministro da Casa Civil condenado no mensalão discutindo com interlocutores petistas as indicações dos ministérios do segundo mandato de Dilma Rousseff, apenas quinze dias após a reeleição da presidente

SÃO PAULO – Segundo documentos obtidos pelo jornal O Estado de S. Paulo divulgados nesta terça-feira (29), conversas mostram o ex-ministro da Casa Civil condenado no mensalão, José Dirceu, discutindo com interlocutores petistas as indicações dos ministérios do segundo mandato de Dilma Rousseff, apenas quinze dias após a reeleição da presidente. Ele previa dificuldades para ela. 

Quer saber onde investir em 2016? Veja no Guia Especial InfoMoney clicando aqui!

As discussões foram encontradas em mensagens de WhatsApp no celular de Dirceu, apreendido pela Polícia Federal no âmbito da Operação Lava Jato. “Tem que ser nomes com visibilidade e aceitação na sociedade em amplos setores de cada área, senão não acabará bem esse mandato”, afirmou Dirceu para a historiadora e militante petista Maria Alice Vieiras em 10 de novembro de 2014. Naquele período, ele cumpria sua pena por corrupção no mensalão em regime domiciliar. 

PUBLICIDADE

Maria Alice é ex-assessora política de Dirceu e conversava com ele sobre diversos temas da política, chegando a falar, na época, sobre a saída da ex-ministra e senadora Marta Suplicy do Ministério da Cultura, chegando a discutir a saída dela também do PT. 

No diálogo, ele também critica o seu partido. “Por aqui o que se diz que ela no PT disputará prévias com Haddad, uma loucura. Samuel [Guimarães] não tem condições, acho que. Porque mesmo que todos esses processos são tão mal encaminhados?”, indaga Maria Alice. “Não acredito que o PT aceitará e cometerá de novo esse erro”, responde o ex-ministro. Segundo o jornal, Dirceu também chega a sugerir o nome do ex-prefeito de Ouro Preto (MG), Angelo Oswaldo e pede para Maria Alice falar com os petistas de Minas Gerais sobre o assunto.

A defesa de Dirceu, representada pelo criminalista Roberto Podval, afirmou ao jornal que “Dirceu foi condenado no mensalão, mas não está morto, o direito de atuar politicamente não lhe foi tirado, portanto, é obvio que o mesmo mantinha contatos com vários amigos e falava sobre política”.

Já Maria Alice afirmou que o contato dela com Dirceu diminuiu após a condenação dele no mensalão, “mas sempre que possível conversamos e trocamos opiniões sobre episódios relacionados a política brasileira e ao PT”. Ela afirmou ainda que “não tem cargo no PT nem na Fundação”.