Esclarecimentos

Em carta, ex-presidente FHC presta esclarecimentos sobre escândalos em seu governo

Resposta vem após coluna de Élio Gaspari no jornal Folha de S. Paulo, em que destacou os escândalos do governo do tucano

SÃO PAULO – Em carta enviada à “Folha de S. Paulo” e divulgada nesta segunda-feira pelo jornal, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso responde a artigo recente do colunista Elio Gaspari em que lembrava de escândalos noticiados durante o governo do tucano. 

Dentre eles, estão o “Caso Sivam”, “Pasta Rosa”, “Compra de votos para a reeleição do presidente”, entre outros. Gaspari aponta que todos os envolvidos estão soltos até hoje.

FHC contestou na carta, dizendo que a alegada compra de votos para sua reeleição, os acusados não eram do PSDB e que nunca houve acusação formal a “ministro aludido”.

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Já em relação ao “mensalão mineiro”, ele disse que, desde o início, defendeu a apuração e julgamento. “Diga-se que, quando surgiu o caso, eu não era mais presidente”.

Sobre o “cartel do PSDB” de São Paulo na compra dos trens ou do metrô, ele afirmou que “provavelmente houve suborno de funcionários desses dois níveis de governo, mas não há acusação a partidos”.

Confira a carta na íntegra: 

A propósito do esclarecedor artigo de Elio Gaspari “Todos soltos, todos soltos até hoje”, que começa a desfazer o slogan de escândalos do PSDB, desejo esclarecer:

a) Quanto ao caso Sivam, não só que a contratação da Raytheon se deu no governo Itamar, como que ao governo nunca foi atribuído haver participado de malfeitos. A “prensa” para que o processo andasse se referia à aprovação do mesmo pelo Senado, posto que o relator do caso demorava em se pronunciar. Houve inquérito, o servidor mostrou inocência (havia sido afastado das funções por mim) e, posteriormente, foi muito justamente nomeado embaixador na Colômbia pelo presidente Lula.

b) A “pasta rosa”, como dito no artigo, se refere a supostos recursos de campanha destinados, antes de meu governo, a candidatos parlamentares de vários partidos; o inquérito, no caso, competia à Justiça Eleitoral e a legislação nas eleições até 1994 era diferente da atual, não sendo fácil, de serem verdadeiras as suposições, tipificar os atos como crimes eleitorais.

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c) Quanto à alegada compra de votos para a reeleição, além dos acusados não serem do PSDB e terem sido objeto de inquérito no Congresso que os levou à renúncia, quanto à insinuação vaga de que teria havido envolvimento de um ministro no processo de suborno, o ministro aludido foi espontaneamente à Comissão de Justiça da Câmara e rechaçou as aleivosias. Nunca houve acusação formal ao ministro, que eu saiba.

d) No que se refere ao chamado “mensalão mineiro”, ainda “sub judice”, minha opinião, independentemente de endossar as acusações, foi, desde o início, de que deveria haver apuração e julgamento. Diga-se que, quando surgiu o caso, eu não era mais presidente.

e) Por fim, não existe um “cartel do PSDB” de São Paulo na compra dos trens ou do metrô. Segundo o relatório técnico do Cade, há acusação a empresas que formaram cartel para operar tanto em obras federais como estaduais. Provavelmente houve suborno de funcionários desses dois níveis de governo, mas não há acusação a partidos.

Ficarei grato se esta carta for publicada para assim complementar as informações do jornalista Elio Gaspari.

Cordialmente,

Fernando Henrique Cardoso