Antes do julgamento

Em ataque a presidente do TRF-4, Lula resgata Guerra de Canudos

"Esse cidadão é bisneto do general que invadiu Canudos e matou Antônio Conselheiro. Talvez ele ache que eu seja cidadão de Canudos", afirmou o petista

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SÃO PAULO – Em meio ao acirramento da tensão entre as partes envolvidas uma semana antes do julgamento de recurso no TRF-4 Tribunal Regional Federal da 4ª região, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva dedicou parte de seu discurso em evento realizado na noite de terça-feira, no Rio, para atacar o desembargador Carlos Eduardo Thompson Flores, presidente da instituição.

O ex-presidente disse que Flores é bisneto do coronel que ordenou a invasão de Canudos, na Bahia, no final do século 19, e que culminou na morte de Antônio Conselheiro, líder da comunidade. “Esse cidadão é bisneto do general que invadiu Canudos e matou Antônio Conselheiro. Talvez ele ache que eu seja cidadão de Canudos”, afirmou o petista.

Na última segunda-feira, o presidente do TRF-4 fez reuniões em Brasília, com figuras como a presidente do Supremo Tribunal Federal, ministra Cármen Lúcia — também presidente do Conselho Nacional de Justiça –, e a procuradora-geral da República, Raquel Dodge. Na pauta dos encontros estavam as ameaças sofridas pelos desembargadores responsáveis pelo julgamento de recurso apresentado por Lula, marcado para 24 de janeiro.

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Durante o evento, Lula evitou fazer comentários sobre os desembargadores que julgarão seu recurso à condenação a nove anos e seis meses de prisão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro proferida pelo juiz federal Sergio Moro no caso envolvendo um apartamento tríplex no Guarujá (SP). Contudo, o ex-presidente não evitou tecer comentários sobre o presidente do tribunal de Porto Alegre (RS).

“Eu acho estranho um juiz dizer que não leu a sentença do Moro, mas dizer acreditar que ela é irretocável”, provocou. No ano passado, Flores chegou a classificar a sentença vinda da primeira instância como “irretocável”. O petista também fez críticas ao juiz Moro e aos procuradores e delegados da força-tarefa da operação Lava Jato.