Delação

Em artigo, Janot defende imunidade aos irmãos Batista e diz que serve “fielmente ao país”

"Embora os benefícios possam agora parecer excessivos, a alternativa teria sido muito mais lesiva aos interesses do país", diz o procurador

Ex-procurador-Geral da República, Rodrigo Janot (Crédito: Agência Brasil)
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SÃO PAULO – Em artigo publicado no portal de notícias UOL, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, defendeu o acordo feito com a JBS e os irmãos Batista por conta da delação premiada feita pelos dois. Ele tem sido bastante criticado pela imunidade dada aos executivos em troca dos documentos e gravações feitas, principalmente por Joesley Batista.

“Embora os benefícios possam agora parecer excessivos, a alternativa teria sido muito mais lesiva aos interesses do país”, diz o procurador afirmando que “jamais saberíamos dos crimes que continuariam a prejudicar os honrados cidadãos brasileiros, não conheceríamos as andanças do deputado com sua mala de dinheiro, nem as confabulações do destacado senador ou a infiltração criminosa no MPF”.

Janot afirma que não teve outra alternativa a não ser conceder a imunidade penal aos delatores baseado em três fatores: a gravidade dos fatos, a certeza que a justiça não conseguiria todas essas informações pelos meios tradicionais, e de que as provas seriam descartadas sem o benefício da delação.

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Citando o acordo de leniência no valor de R$ 11 bilhões e as consequências legais das operações com câmbio e dólar feitas pela JBS, o procurador justifica que o acordo não saiu barato para os irmãos Batista.

No texto, Janot ainda conta de forma sucinta como ocorreu o acordo, com os executivos procurando ele diretamente para oferecer as gravações e documentos. “Tivesse o acordo sido recusado, os colaboradores, no mundo real, continuariam circulando pelas ruas de Nova York, até que os crimes prescrevessem, sem pagar um tostão a ninguém e sem nada revelar, o que, aliás, era o usual no Brasil até pouco tempo”, conclui o procurador.