Lava Jato

Em artigo de opinião, FT aponta principal legado de Moro na Lava Jato

Em artigo escrito pelo reitor da Fundação Dom Cabral,  juiz federal e Lava Jato são retratados como símbolos de uma mudança de paradigma no Brasil

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SÃO PAULO – Em artigo de opinião ao jornal britânico Financial Times, o reitor da Fundação Dom Cabral, Antonio Batista da Silva Junior, apresenta o juiz Sérgio Moro e a Operação Lava Jato como símbolos de uma mudança de paradigma no Brasil.

No início do texto, Batista destaca uma frase do teólogo holandês Gaspar Barléu, em que aponta que “não haveria pecado abaixo da linha do Equador, ou “como se a linha que divide os hemisférios separasse também a virtude do vício”. Essa frase é muito usada por escritores brasileiros para definir um sentimento que habita o imaginário coletivo do país: “a aceitação como natural da ocorrência de desvios éticos e morais, como os vistos em casos de corrupção”.

Porém, destaca o artigo de Batista no FT, “este paradigma está sendo quebrado no Brasil, embora ao custo de um momento altamente turbulento na história política da nação. A operação Lava Jato está no centro do movimento, e seu principal defensor é Sérgio Moro, juiz federal que está na vanguarda do movimento anti-corrupção do País”.

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De acordo com o artigo do reitor, a Lava Jato oferece esperança na luta contra a impunidade. “O principal legado de Moro para nossa nação é ter criado um ambiente para lutar contra a corrupção endêmica, que não era punida”, afirma.

Batista também aponta que, apesar das percepções de que Moro emerge como força para uma mudança positiva, os críticos o acusam de investigar arbitrariamente. “Métodos pouco ortodoxos, como grampo, levou a protestos de seus críticos”, ressalta. 

O artigo ainda ressalta a fala recente de Moro, que disse ser difícil estimar um prazo para o fim da Operação, mas que ela já estaria “no meio do caminho”. Batista aponta que, a cada dia, as investigações trazem novos fatos sobre a corrupção no cerne de alguns dos principais setores da economia brasileira, do petróleo e gás à construção civil.

“Independentemente da crítica ao trabalho de Moro, seu legado não pode ser negado. É através dele que o Brasil está finalmente abordando seu problema histórico de corrupção”, afirma o artigo do jornal britânico. 

De acordo com Batista, “não há dúvida sobre o potencial do Brasil”, uma vez que é um país rico que goza de uma economia próspera e diversificada, mas ainda sofre de uma grande desigualdade social. “O contraste entre a alegria e a motivação de um povo criativo e empreendedor e o desânimo provocado pela falta de esperança de mobilidade social foi uma das marcas registradas da sociedade brasileira por muitos anos”.

Neste sentido, a Lava Jato oferece esperança na luta contra a impunidade, destaca o artigo. “O legado principal de Moro para nossa nação é ter criado um ambiente para combater a corrupção endêmica e impune”.

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”No mundo atual, cheio de ambivalência, contrastes, intolerância e fracassos morais e éticos, é importante ter iniciativas como a liderada por Moro. Elas mostram um novo caminho, mais ético e justo. É um caminho ao longo do qual a virtude, sem dúvida, superará o vício”, finaliza.