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Eleições na França: os 4 cenários possíveis do evento político mais importante do ano

Relatório do Credit Suisse também aponta a possível reação do mercado em cada caso

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SÃO PAULO  – A campanha da eleição na França chega em sua reta final, com o primeiro turno ocorrendo no próximo domingo (23) e as pesquisas cada vez mais indicando que a disputa ficará entre Emmanuel Macron, líder do partido En Marche!, e Marine Le Pen, candidata da Frente Nacional – o partido francês de extrema direita, ambos com cerca de 25% das intenções nas principais pesquisas.

Mas nem por isso os outros candidatos podem ser descartados, ainda mais em um momento onde o mundo ainda tem fresco na memória os “erros” com o Brexit e a vitória de Donald Trump nos Estados Unidos. Em terceiro nas pesquisas aparece François Fillon, com pouco menos de 20% das intenções, seguido por Jean-Luc Mélenchon, que já tem 15%, e Benoît Hamon, com menos de 10%.

Segundo a equipe de analistas do Credit Suisse, os mercados teriam uma boa reação caso Fillon ou de Macron vençam a disputa. O primeiro é mais radical em alguns aspectos e pode enfrentar problemas de credibilidade diante de supostos escândalos sobre ele e sua família. Por outro lado, Macron poderia ter algumas dificuldades em formar uma maioria parlamentar. Mas ambos seriam os mais bem recebidos pelos investidores.

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Já uma vitória da extremista Le Pen, provavelmente provocaria uma reação negativa do mercado, acreditam os analistas. Segundo eles, lançar um referendo sobre a saída da França da União Europeia, que é o elemento-chave de suas propostas, seria altamente perturbador, não apenas para o país, mas para a Europa como um todo. Apesar disso, o Credit diz que mesmo se ela vencer, dificilmente conseguirá lançar o referendo, já que precisa de um apoio parlamentar que ela parece não ter.

Sobre os dois candidatos restantes, Hamon e Melenchon, os analistas acreditam que o impacto também seria negativo, especialmente no caso do segundo, uma vez que as suas opiniões sobre a Europa são semelhantes às de Le Pen. “No entanto, a probabilidade de um desses dois candidatos chegarem ao segundo turno parece, no momento, baixa”, afirmam.

Na próxima quinta-feira (20) ocorre o último debate e que deve fazer os eleitores indecisos definirem seus votos, apesar de que os números indicam a consolidação da disputa entre Le Pen e Macron. Por outro lado, os analistas do Credit reforçam atenção sobre Melenchon, que está ganhando força e aumentando a canibalização do voto na esquerda, se aproximando de Fillon nas pesquisas. A equipe do banco criou quatro cenários para esta eleição, confira:

1) O cenário base é que Le Pen enfrentará Macron no segundo turno. Neste caso, a expectativa é que Macron, como sugerido nas pesquisas, ganhe por uma grande margem – de cerca de 60% a 40%. Segundo os analistas, ele tem força para reunir uma quantidade significativa de apoio adicional a partir da direita ou esquerda mais tradicionais.

2) Fillon ainda poderia chegar à segunda rodada, em vez de Macron. Neste caso, a equipe do Credit também espera que Le Pen perca, mas provavelmente por uma margem mais apertada em relação ao cenário 1. Pesquisas mostram que Fillon venceria com apenas 57% dos votos. Como no cenário 1, nenhum partido apoiaria Le Pen no segundo turno, mas a diferença seria que a capacidade de Fillon de atrair eleitores da esquerda seria mais limitada devido à sua posição política.

3) Uma disputa entre Macron e Fillon, embora não seja impossível, tem uma das mais baixas possibilidades apontadas pelas pesquisas. Se isso acontecer, a projeção é que Macron vença por uma pequena maioria. A vitória de qualquer candidato dependeria de transferências de votos e de abstenções, explica o Credit. Seus programas econômicos são similares, sendo as diferenças fundamentais em seus programas sociais, onde Fillon tem uma abordagem mais conservadora.

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4) O último cenário é entre Le Pen e Melenchon, em mais uma disputa bastante improvável – mais que o cenário 3. “Se for para acontecer, as pesquisas sugerem que Melenchon venceria”, dizem os analistas. Assim como com Le Pen, uma vitória de Melenchon não significa que seu programa seria implementado, já que seria altamente improvável que ele reunisse a maioria no parlamento, necessária para governar na França.