Eleições: especialista afirma que é possível fraudar urna eletrônica

Após declaração de ministro que urnas são seguras, advogado diz que, se fosse verdade, sistema financeiro já teria adotado projeto

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SÃO PAULO – A declaração de que a urna eletrônica é uma das experiências mais exitosas do País, feita dias atrás pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Marco Aurélio, causou discussão quanto à possibilidade de fraudar o sistema de votação eletrônica.

De acordo com o advogado Paulo Gustavo Sampaio Andrade, a certeza de que a urna é 100% segura lembra a idéia que se fazia do Titanic e do World Trade Center antes dos desastres. “Se o sistema eletrônico fosse imune a fraudes, o sistema financeiro já teria adotado o projeto”, disse o advogado.

Fraudes

Segundo Paulo Andrade, há 10 anos discute-se a segurança do voto no Brasil. “Todos os pesquisadores, brasileiros e americanos, são unânimes em dizer que o sistema não é confiável. Não dá para fingir que está tudo certo”.

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O livro “Fraudes e defesas no voto eletrônico”, de Almílcar Brunazó e Maria Aparecida Cortiz, explica 12 maneiras de fraudar as eleições eletrônicas, veja abaixo algumas delas.

Clonagem e Engravidamento

Em uma das fraudes, enquanto os eleitores votam em uma urna clonada, a urna verdadeira é alimentada com votos fraudulentos em outro lugar. A troca das urnas seria feita no carro do presidente da seção, antes da contagem geral dos votos.

Outra fraude seria feita na própria seção eleitoral, enquanto o movimento de pessoas para votar é pequeno. Neste caso, os próprios mesários votariam no lugar das pessoas que ainda não compareceram. Caso a pessoa que o título eleitor foi fraudado aparecer, basta escolher outro número de título de quem não foi votar e liberar o de quem se apresentou.

Apuração e Adulteração nos programas originais

As urnas eletrônicas acumulam votos em seu programa e depois imprimem um boletim com a soma deles. Na fraude da apuração, o sistema pode conter arquivos que desviem votos para candidatos ou partidos políticos. Isso pode ser feito por meio de vírus.

Na adulteração dos programas originais, a fraude está no próprio sistema da urna eletrônica, que também desvia os votos. Isso seria feito por disquetes fraudados ou inicialização por memória externa.

Adulteração nos programas de totalização

A apuração é a soma de votos de uma urna eletrônica, que é materializada em um boletim. A soma dos resultados de todas as urna é chamada de totalização.

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A adulteração nos programas de totalização acontece quando o próprio programa (original ou fraudado) pode alterar as somas das apurações e desviar votos. A fraude acontece, também, quando o banco de dados em que são armazenados os votos de todas as seções é diretamente alterado.

Com informações do Consultor Jurídico