No limite

Eleições? Confira o outro fator binário – e bem importante – para o Brasil em outubro

Trata-se do primeiro mês da estação mais chuvosa, com a despedida do inverno e a entrada da primavera, que teve início nesta semana

SÃO PAULO – Os investidores brasileiros têm se concentrado tanto nas eleições de outubro que podem ter deixado de lado um outro elemento – e bem importante – para o próximo mês, destaca a equipe de análise do Citi Research. Trata-se do primeiro mês da estação mais chuvosa, com a despedida do inverno e a entrada da primavera nesta semana. 

Após três anos de seca, um incomum mas bem possível quarto ano seguido de seca poderia exigir o racionamento de energia em segundo trimestre de 2015. “Outubro não é o mês definido para as chuvas, mas irá fornecer algumas sinalizações se os reservartórios problemáticos piorarão a sua situação ou não”, afirmam os analistas Marcelo Britto, Kaique Vasconcellos e Stephen Graham.

Vale ressaltar que a probabilidade de um evento como o El Niño, que aumentaria as chances de chuva no Brasil, tem caído, na opinião de diversos especialistas e afetar o setor de energia. “O nosso modelo climático de acordo com áreas de reservatórios poderia levar a uma chance de corte de consumo de energia em 5% com uma probabilidade de 43%.  O tempo seco ainda levaria a altos preços de atacado e aumentos de preços para o mercado de varejo além dos grandes valores que já estão em curso, afirmam os analistas.

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Desta forma, com a desaceleração da economia vindo de qualquer maneira, o racionamento deixaria o Brasil crescendo ainda menos. Por fim, a utilização de usinas térmicas poderia alimentar a inflação ainda mais por preços elevados no mercado à vista, além de continuar pressionando o balanço de pagamentos com importação de combustíveis.

No entanto, o outro lado da equação é o da demanda por energia. “Nós olhamos para os diferentes cenários de demanda e precipitação que implicam sobre o risco de racionamento. O modelo macro do Citi prevê apenas 1% do crescimento do PIB em 2015, o que pode corresponder a 2% de crescimento de energia sob demanda. Se precipitação cai abaixo de 73% da média de LT, então os reservatórios principais atingiriam níveis críticos (menor que 20% em novembro de 2015). Neste caso, mesmo com todas as térmicas, o consumo atual não poderia ser sustentada”, afirma.

Por outro lado, uma estação chuvosa normal é o equivalente ao “combustível grátis caindo do céu. No melhor caso, não seria suficiente para encher os reservatórios para a segurança mesmo com o próximo ciclo de chuvas, especialmente com muitas novas usinas de 2015″.

Por outro lado, a chuva forte reduziria rapidamente os custos industriais, ajudaria a balança de pagamentos, a inflação e contribuir para o crescimento. “A combinação de fortes chuvas – e um resultado eleitoral agradável – ou o contrário em ambas as frentes poderia balançar o humor do mercado para um extremo ou outro durante o quarto trimestre. 

E sobre as ações mais expostas ao risco de racionamento? As empresas de energia têm exposições diferentes neste cenário. As mais expostas são as geradoras, caso de  Eletrobras (ELET3;ELET6), AES Tietê (GETI4), Tractebel (TBLE3) e Copel (CPLE6), enquanto a menos exposta é a Transmissão Paulista. Algumas geradoras, como CESP (CESP6) e Cemig (CMIG4) vão ganhar com o tempo mais seco se conduzir a alta dos preços à vista, mas sem que se atinja o ponto de racionamento. Com a exceção da Light (LIGT3), as distribuidoras CPFL (CPFE3) e Energias do Brasil (ENBR3) não têm muito risco com os altos preços do atacado, mas sim com o risco de racionamento.