Eleições: Banco Safra aponta o que pode mudar no setor elétrico brasileiro

Saídas dos governadores do Paraná e de Minas podem causar reação excessiva do mercado em relação a Cemig e Copel

SÃO PAULO – Às vésperas do início da corrida eleitoral, o mercado já começa a avaliar as perspectivas para o segmento estatal brasileiro, aponta Sérgio Tamashiro, do Banco Safra. O afastamento de Roberto Requião do governo do Paraná, anunciado na última segunda-feira (29), deu início as definições para a eleição de outubro, argumenta o analista, movimento este que será acompanhado de perto pelo mercado.

O governador do estado do Paraná deixa seu cargo para candidatar-se ao Senado, indica Tamashiro, que também enumera outras alterações no cenário político esperadas para o curto prazo. “Provavelmente veremos por esses dias, os anúncios das saídas do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, e do governador do estado de Minas Gerais, Aécio Neves, que concorrerão a cadeiras no Senado”.

Entretanto, ainda é cedo para avaliar os efeitos das mudanças nas empresas do setor. “O mercado pode estar reagindo excessivamente quanto aos benefícios esperados para a Copel (CPLE6) e aos prejuízos esperados para a Cemig (CMIG4), com as eleições de outubro”, escreve.

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Paraná
“A partida de Requião já era esperada há muito tempo pelo mercado. No entanto, teremos de esperar por mudanças na gestão da Copel para avaliar os benefícios em longo prazo”, explica o analista. Vale lembrar que o governador causou certo furor no mercado ao revisar os contratos internacionais na estatal energética do estado.

“Radicalizamos os nossos compromissos com aqueles que seriam vitimados pela recidiva neoliberal. Um governo de esquerda. Fortemente, emocionalmente enraizado nas classes populares, desvinculado do grande capital, na contraonda dos preceitos, regras e imposições do mercado”, disse Roberto Requião ao resumir a posição de sua administração. Ele deixa em seu lugar o vice-governador Orlando Pessuti, do PMDB (Partido do Movimento Democrático Brasileiro), que deverá enfrentar Beto Richa, atual prefeito de Curitiba e favorito nas pesquisas, nas urnas.

Minas Gerais
No estado, Aécio Neves deverá deixar seu espólio para Antonio Anastasia. “Contrariamente à Copel, o mercado enxerga as mudanças no governo do estado como ponto negativo para a Cemig”, revela Tamashiro.

“Anastasia também tentará a reeleição em outubro. Portanto, vamos ter que esperar para ver se, de fato, não haverá continuidade na gestão da Cemig”, diz o analista, que acredita no surgimento de oportunidades de compra caso a candidatura se confirme.

Governo Federal
Também são esperadas mudanças na esfera maior do estado brasileiro, com diversos ministros do governo Lula cotados para deixarem seus cargos. O analista do Safra dá especial atenção para saída de Edison Lobão, que deixa a pasta de Minas e Energia para seu secretário-executivo, Márcio Zimmermann. 

“Acreditamos que há pouca possibilidade de mudanças nos leilões de energia programados. Além disso, se Dilma Rousseff vencer a eleição presidencial, vemos uma grande possibilidade de continuidade da política no setor da eletricidade”, conclui Tamashiro.