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SÃO PAULO – Em uma eleição na qual cerca de 121,3 milhões de eleitores estão aptos a votar, a campanha para as Eleições Municipais 2004 deve pegar fogo nesta semana, quando termina o horário eleitoral gratuito.
Segundo o calendário eleitoral, o horário político gratuito termina na próxima quinta-feira, dia 30, já que o 1º turno das eleições 2004 ocorre no próximo domingo, 3 de outubro. Nas cidades em que será realizado segundo turno, o horário político eleitoral gratuito reinicia no próximo dia 18 de outubro.
Também termina na quinta-feira o prazo para a realização de debates entre os candidatos e para os chamados “showmícios”. Contudo, os candidatos têm, segundo o calendário eleitoral, até a véspera das eleições, ou seja, até o sábado, para efetuar propaganda mediante alto-falantes e amplificadores de som ou promoção de carreatas e distribuição de material de campanha.
Faltou respeito ao eleitor
Nas últimas semanas o eleitor foi exposto ao que existe de pior na política, e acabou sendo esquecido, na troca incessante de acusações entre os candidatos, na qual a verdade e os fatos muitas vezes foram esquecidos, ou, como estamos cada vez mais acostumados a ver, deixados de lado “para o bem do eleitor”. Afinal, em política não são poucos os que acreditam que os fins justificam os meios.
Faltando menos de uma semana para a realização do 1º turno das eleições, muitos partidos estão aproveitando estes últimos dias para conseguir na Justiça o direito de réplica de acusações infundadas que são feitas durante os programas políticos. Este é o caso, por exemplo, do PSDB, que conseguiu na Justiça Eleitoral o direito de réplica contra o PT devido às acusações, veiculadas no programa de sua candidata à prefeitura paulistana, Marta Suplicy, contra o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
Julgadas improcedentes pelo TSE, as acusações proferidas pelo senador Aloízio Mercadante nos programas da semana passada devem dar ao PSDB pelo menos 32 minutos, distribuídos nesta semana, de espaço no horário político que antes seria reservado ao PT. O partido também conseguiu direito de resposta contra Paulo Maluf, candidato do PP à prefeitura paulista, que perdeu, com isso, cerca de 31 minutos na TV e 20 minutos no rádio.
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Disputa municipal com peso federal
Ainda que as eleições tenham caráter municipal, elas são de enorme importância, pois devem servir como termômetro do eleitorado para as próximas eleições presidenciais, que ocorrerão daqui a dois anos, em outubro de 2006. Tanto é que o próprio presidente Lula se engajou pessoalmente no embate da capital paulista.
Para se ter uma idéia da importância de algumas cidades, basta lembrar que a cidade com o maior eleitorado do país, São Paulo, conta com 7,771 milhões de eleitores. Juntos, eles respondem por cerca de 6,4% do total de 121,3 milhões de eleitores registrados no TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
De maneira semelhante, outras cidades, como Rio de Janeiro (4,414 milhões), Belo Horizonte (1,680 milhão), Salvador (1,585 milhão) e Porto Alegre (1,005 milhão) também terão um impacto importante no desenho do mapa político para as eleições presidenciais de 2006. Afinal, juntas, estas cinco capitais respondem por 13,5% do eleitorado brasileiro, quantia suficiente para alterar o resultado de qualquer eleição, tenha ela caráter estadual ou nacional.