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Eleição de 2018 terá maior presença militar, diz ministro da Defesa

 Entre as ameaças neste pleito estão facções armadas que buscam influenciar o voto, ciberataques e uma atmosfera geral de tensões políticas, afirmou

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(Wikicommons)

(Bloomberg) — O governo brasileiro mobilizará tropas em número maior do que o habitual para as eleições de outubro devido a elevados níveis de ameaças, disse o ministro da Defesa, general Joaquim Silva e Luna, em uma entrevista.

Embora seja praxe recorrer às Forças Armadas na segurança das eleições, o contingente será provavelmente muito maior do que em anos anteriores, disse Silva e Luna à Bloomberg em Brasília, sem detalhar os números. Entre as ameaças estão facções armadas que buscam influenciar o voto, ciberataques e uma atmosfera geral de tensões políticas, afirmou.

“Um efetivo pequeno não resolve em termos de dissuasão”, disse o ministro. “A preocupação é maior com essas eleições porque as ameaças são maiores, o que gera uma insegurança. As garantia precisam ser reforçadas.”

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Silva e Luna, um general de quatro estrelas do Exército, falou na véspera de uma viagem a Israel, onde se encontrará com autoridades para ajudar a fortalecer a defesa cibernética do Brasil.

Abalados por anos de recessão e sucessivos escândalos de corrupção, os eleitores brasileiros estão profundamente desiludidos com a classe política e cada vez mais divididos. Neste contexto, a violência tornou-se uma das principais preocupações do eleitorado. Cerca de 60 mil pessoas foram assassinadas no país em 2015, último ano com dados disponíveis. De 2011 a 2015, o país registrou mais mortes violentas do que a Síria, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

A popularidade do ex-capitão do Exército Jair Bolsonaro, que concorre à Presidência com uma plataforma linha dura contra o crime, não é surpresa dado o grau de violência e desencanto no país, disse Silva e Luna.

Pelo fato de ser militar, Bolsonaro carrega valores como disciplina, honra e respeito, afirmou o ministro. “Onde todos os candidatos aparecem com uma série de pecados, Bolsonaro não tem esses pecados naquilo que a sociedade está cobrando mais”, acrescentou o ministro, numa referência à corrupção e ao discurso politicamente correto associados a outros candidatos. Para o ministro, os militares “respondem a um anseio real da população”.

Embora as Forças Armadas sejam uma das instituições em que os brasileiros mais confiam, a crescente atuação e visibilidade dos militares no Brasil vem contrariando alguns políticos e setores da sociedade.