Educação: um grande desafio para o país

Apesar dos avanços, o Brasil ainda precisará resolver vários problemas tanto de ordem didática como estrutural para melhorar a qualidade do ensino

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SÃO PAULO – Que a educação é uma peça chave no processo de desenvolvimento econômico e social de uma nação todo mundo já sabe. Uma educação eficiente e abrangente é a base de todo o processo de desenvolvimento de um país, já que a uma população educada geralmente possui uma elevada produtividade, além de estar apta a se adequar às inúmeras mudanças que chegam em quase todas as empresas modernas.

Apesar dos avanços das últimas décadas, ainda são necessárias muitas mudanças para que o Brasil possua uma educação que realmente prepare nossas crianças e jovens para as necessidades de uma sociedade moderna e globalizada. Neste sentido, o entendimento dos avanços e das necessidades da educação é importantíssimo para que possamos escolher de forma consciente o novo presidente, que poderá fazer as melhorias que a educação brasileira tanto precisa.

Universalização da educação foi a maior vitória no Brasil

Mesmo com todos os problemas e críticas que a educação brasileira sofre, suas conquistas são inegáveis. A principal delas se refere ao acesso dos brasileiros ao ensino. Nos anos 50, menos de 60% das crianças em idade escolar assistiam às aulas, o que fazia com que nossa taxa de analfabetismo fosse superior a 40% da população.

Atualmente, este quadro apresenta uma sensível melhora, com 97% das crianças com idade entre 7 e 14 anos freqüentando o ensino fundamental. Com isto, o número de professores saltou de 193 mil em 1950 para mais de 1,6 milhão meio século depois.

Já o criticado conceito dos ciclos de aprendizado, que segundo muitos apenas serve para aprovar o aluno mesmo que não saiba a matéria, também foi um importante avanço da educação nacional. O motivo é que não faz sentido que o aluno seja o único a ser responsabilizado pelo fracasso, já que a educação deve envolver uma série de profissionais, assim como a família e o próprio aluno.

Com os ciclos, a disciplina e a atenção dos alunos passam a estar vinculadas à aplicabilidade e ao modo que o conteúdo é ensinado, forçando uma modernização dos programas e da didática no país.

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Além disto, a descentralização dos investimentos na educação tem trazido efeitos favoráveis ao sistema educacional do país. Municípios e até mesmo as escolas já fazem suas compras de materiais didáticos a merenda, também planejando seus investimentos segundo suas necessidades. Esta descentralização tem ampliado a participação da comunidade nas escolas do país, o que traz claros benefícios ao ensino, pois a população passa a valorizar mais o saber e a acompanhar o desempenho de nossas crianças.

Problemas ainda são colossais

Mesmo com os grandes avanços da educação brasileira, os problemas ainda são gigantescos, principalmente no que se refere à qualidade do ensino, que deverá um dos maiores desafios dos próximos presidentes.

A rede oficial de ensino está repleta de exemplos de professores mal preparados e mal pagos dando aulas em classes superlotadas, com mais de 40 alunos. Muitas escolas não possuem sequer banheiros decentes, quanto menos bibliotecas e laboratórios de qualidade.

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O conceito dos ciclos, apesar de sua inovação e modernidade, foi implantado sem que os professores estivessem devidamente treinados. Além disto, as classes superlotadas acabam impedindo que essas mudanças didáticas tenham o resultado desejado.

Deste modo, o Brasil ainda precisará formar e contratar mais professores para que diminua a superlotação das salas de aula. Ainda mais importante que a contratação é o treinamento dos professores, com formas mais modernas de ensino, também devem ser uma das prioridades do país.

As mudanças nos processos produtivos e nas comunicações também precisam urgentemente ser assimiladas pelas escolas brasileiras. Atualmente, as pessoas recebem informações de todos os lados, pela internet, rádio, revistas, televisão, com as instituições de ensino perdendo o monopólio do saber que detinham há algum tempo atrás.

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Neste contexto, a educação deve fornecer aos alunos capacidade crítica para absorverem e filtrarem essas informações que chegam por todos os lados. Além do mais, com a rapidez com que os métodos de trabalho têm mudado, as escolas deve capacitar seus alunos a um contínuo processo crítico de aprendizagem e criação.

Numa sociedade moderna, não faz sentido um ensino que as crianças decorem coisas distantes e inúteis como o método de reprodução dos Platelmintos ou o nox dos halogênios. Para que os alunos realmente tenham interesse e que o ensino agregue alguma coisa às suas vidas e à sociedade, a educação deveria lhes prover de conhecimento relacionados ao contexto que está vivendo e capacidade de criação através das inúmeras informações a que terá acesso durante a vida.

Com isto, os governantes deverão conduzir todo o sistema educacional a um árduo processo de modernização e adequação à sociedade do século XXI. As divergências e os obstáculos serão muitos grandes, já que demandará uma mudança cultural de todo o sistema educacional.

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Os desafios também não se resumirão em reformas didáticas e nos programas a serem ensinados. Ainda existem muitos problemas estruturais na educação brasileira como a falta de professores, os baixos salários que recebem, o que acaba afastando muitos profissionais capacidades do sistema educacional, e uma estrutura física inadequada.

Por isso, o eleitor terá um duro trabalho pela frente analisando as propostas dos candidatos, para que o sistema educacional possa formar os cidadãos e os trabalhadores que o Brasil tanto precisa.