Entrevista à Folha

Eduardo Cunha afirma que articula aprovação do sistema parlamentarista no Brasil

Presidente da Câmara dos Deputados sugere que o sistema, que aumenta o poder do Legislativo na administração do país, comece a funcionar em 2019: "agora seria um golpe branco", afirmou ao jornal Folha de S. Paulo

SÃO PAULO – Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), voltou a defender o parlamentarismo como a solução para a crise atual. Ao jornal, Cunha afirmou que começou a negociar com outros partidos uma emenda à Constituição para implantar o sistema parlamentarista de governo no Brasil. 

Ele espera obter um acordo para colocar a proposta em votação antes de 2017, quando termina seu comando da Câmara dos Deputados. “Temos que discutir o parlamentarismo no Brasil, e rápido”.

Cunha sugere que o sistema, que aumenta o poder do Legislativo na administração do país, comece a funcionar em 2019. “Agora seria um golpe branco”, disse. “O tema tem ganhado força. Tenho conversado com quase todos os agentes políticos.” 

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Ao falar do governo Dilma, Cunha previu que a economia chegará ao fim de 2015 pior do que está hoje. “E quando ela chegar pior, a pressão política vai ser maior, e é aí que o governo precisa ter uma base mais sólida”, diz.

Por outro lado, ele descartou um pedido de impeachment, mesmo se o TCU reprovar as contas do mandato anterior de Dilma: “se o TCU reprovar as contas do mandato anterior, não quer dizer nada. Se há práticas neste mandato condizentes com improbidade, é outra história. Impeachment é uma coisa grave”, afirmou.

Segundo ele, ” o Brasil não é uma republiqueta” e completou: “a grande evolução que se deve ter é que temos que discutir o parlamentarismo no Brasil, e rápido. Um debate para valer e votar”.

Em relação à Lava Jato, Cunha criticou a condução da operação pelo juiz federal Sérgio Moro; “Joaquim Barbosa, sem abandonar o rigor com que ele conduziu o processo, não decretou nenhuma prisão preventiva no curso da investigação, só executou a sentença depois do trânsito em julgado. O que significa que ele respeitou o princípio constitucional da presunção da inocência, o que me parece que não está sendo respeitado hoje”. 

Ao ser perguntado sobre se é candidato em 2018, Cunha disse que “para cada dia a sua agonia” e que não vive política o dia de amanhã e sim, o dia de hoje. “Qualquer um que queira colocar como projeto de vida candidatura vai virar refém do projeto. Eu não pretendo transformar minha vida e ficar refém de nada”.