Economistas veem interferência do Planalto em decisão do Copom

Decisão surpreendente evidencia no mínimo que Governo e equipe do Banco Central compartilham exatamente da mesma opinião

SÃO PAULO – Apesar de considerar a atitude do Copom (Comitê de Política Monetária) acertada, o economista Antonio Cezar Amarante, da Senso Corretora, reconhece que paira no mercado a impressão de forte influência do Governo no corte da taxa básica de juros.

Para ele, as recentes declarações da presidente Dilma Rousseff deixam claro que seu desejo era, de fato, ver o corte da Selic. Porém, como em diversos outros momentos, o Copom agiu de forma conservadora apesar do desejo da presidente, uma vez que surge espaço para que a quebra de autonomia seja questionada.

Apenas alinhamento?
Neste sentido, Silvio Campos Neto, da Tendências Consultoria, acredita que apesar de não ser possível afirmar com precisão se houve ou não interferência, no mínino ficou claro que a visão do Copom está diretamente alinhada à do Planalto.

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Como consequência, o economista interpreta que a atitude sinaliza que o regime de meta para a inflação foi deixado de lado, pois a decisão de cortar o juro básico vai exatamente contra o patamar atual da inflação, que encontra-se acima do teto da meta.

Impurdência
Expondo uma visão mais crítica em relação à de Amarante, Campos Neto acredita que, mesmo que tenha sido puramente técnica, foi no mínimo, precipitada, pois um corte de 0,5 p.p. em meio as fortes incertezas no mercado, no qual “não é possível ter certeza de nada para tomar uma decisão tão incisiva”, afirma