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Análise

Economistas têm uma notícia bem ruim a dar para Henrique Meirelles sobre a Previdência

Mudanças acabaram? Bem longe disso, apontam economistas, que preveem uma reforma de cerca de 60% da proposta original

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SÃO PAULO –  O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, avisou, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo na manhã desta quarta:  não há mais “muita margem” para nenhum tipo de mudança no relatório do deputado Arthur Oliveira Maia (PPS-BA). Porém, houve uma concessão: Maia  fez mais uma alteração significativa no parecer instantes antes da leitura do documento na comissão, durante a manhã de hoje: a flexibilização das regras da aposentadoria rural (veja mais clicando aqui).  

Meirelles , aponta o jornal, tenta estancar a pressão que continua no Congresso para que novas mudanças sejam atendidas, o que pode colocar em risco boa parte da economia de despesas prevista depois que a reforma for aprovada. É que a redução na idade mínima das mulheres de 65 anos para 62 anos – um dos itens considerados inegociáveis pelo governo no início do processo – aumentou a percepção de risco de que a proposta original seja desfigurada até a votação final.

Pelos cálculos iniciais, a perda de economia, em relação à proposta original, ficará entre 20% e 30%. “Mais próximo de 20%”, ressaltou o ministro. Ele confirmou que a perda ficará próxima de R$ 170 bilhões, como informou o relator. Mas argumentou que não se trata de número “preciso”, mas de uma “referência”. A Fazenda prepara uma nota técnica para detalhar o impacto das mudanças.  Para Meirelles, a redução para 62 anos da idade mínima de aposentadoria das mulheres visou garantir os votos para a aprovação da medida, mas ainda há mudanças a serem negociadas. 

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Além disso, economistas apontam que as mudanças a serem divulgadas pelo relator Arthur Maia (PPS-BA) levam a alterações em pontos importantes da reforma. O economista do Deutsche Bank, Jose Carlos Faria, destacou em relatório a estimativa do governo federal de que a reforma deve levar a uma economia superior a R$ 600 bilhões para os próximos dez anos (ontem o relator havia afirmado que o novo texto possibilita uma economia de R$ 630 bilhões –valor R$ 170 bilhões ou 21,25% menor que o esperado com a versão original).  Contudo, segundo o Deutsche, as alterações poderiam reduzir a economia ainda mais, para entre cerca de 60% a 70% do texto original, enquanto há um risco de diluição ainda maior. 

“É importante salientar que o objetivo do plano original do governo era estabilizar os gastos com segurança social como porcentagem do PIB, uma vez que o déficit crescente não é compatível com a PEC do teto de gastos aprovada no ano passado. Mesmo assumindo que a reforma poderia  estabilizar o déficit da previdência, o governo teria que implementar medidas adicionais (cortes de gastos e aumentos de impostos), a fim de gerar um superávit fiscal primário para estabilizar a relação entre a dívida pública em relação ao PIB”, ressalta o economista. Faria ainda aponta: “quanto mais fraca for a reforma agora, mais fortes serão as medidas a serem adotadas no futuro – especialmente após as eleições de 2018 – de forma a restaurar a sustentabilidade fiscal”.

A LCA Consultores também apontou em relatório: “pelos nossos cálculos, contudo, apontam para algo pouco abaixo de 60% da proposta original”, enquanto o Itaú BBA vê uma economia de 57% em relação à proposta original. Em nota a clientes, os analistas do JP Morgan disse que as mudanças poderiam significar uma economia de apenas R$ 472 bilhões, uma queda de 40% frente os R$ 781 bilhões originais. 

Neste cenário, há motivo para desânimo nos mercados em meio a essas revisões sobre a economia com a Previdência? Em entrevista ao InfoMoney (que será publicada em breve no portal) André Gordon, sócio responsável pela gestão da GTI Administração de Recursos, apontou que  não havia muito “romantismo” da aprovação do projeto original e as concessões já eram esperadas. De acordo com Gordon, tudo aponta para uma economia cerca de 30% menor em relação ao projeto original, o que levaria ainda a uma boa reação para o mercado. 

Para Gordon, em um cenário em que só entre 50% e 60% da reforma fosse aprovada, a reforma seria vista como paliativa, o que poderia conter a trajetória de alta do mercado num primeiro momento. Contudo, há outros fatores de ânimo, caso da expectativa de retomada da atividade e queda de juros (que, contudo, teria o ritmo intensificado com a reforma da Previdência). “Mesmo projeto ruim, ‘quebra-galho’, é melhor do que não ter reforma nenhuma”, afirma. 

O gestor aponta: “hoje, temos a opção do Brasil ter um crescimento entre 2,5% e 3% do PIB ao ano, sem turbulência, ou de crescer 1,5% com turbulência”.  Por enquanto, o cenário que se desenha caminha para uma segunda alternativa, aponta. 

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