Economista critica atuação do BNDES em financiamento de projetos privados

Mansueto Jr. taxa trem bala de megalomaníaco e alerta para exagero nos empréstimos pedidos ao BNDES

SÃO PAULO – Em entrevista ao Podcast da Rio Bravo, o economista Mansueto de Almeida Jr., técnico de planejamento e pesquisa do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) em Brasília, critica o papel do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social) como executor da política industrial brasileira.

O especialista acredita que o Governo vem exagerando nos empréstimos pedidos ao BNDES nos últimos quatro anos para despesas não recorrentes.

“Se o Brasil quiser fazer um trem bala de R$ 50 bilhões ou até um investimento mais pomposo ele não precisa provar que tem a fonte de recurso, ele pode simplesmente aumentar a dívida. Estamos querendo aumentar o investimento sem para isso poupar mais, sem mostrar a fonte de recurso”, afirma o economista.

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Segundo Mansueto, há quatro anos, o total de empréstimos do Tesouro para o BNDES era inferior a R$ 10 bilhões, mas hoje é de R$ 300 bilhões o que, para ele, é uma velocidade muito grande em montantes não justificáveis.

“O que o governo está debandando do BNDES é uma agenda muito mais audaciosa do que a capacidade do Banco”, alerta Mansueto.

Para ele, “o trem bala é um projeto megalomaníaco” que não se sustenta por nenhuma análise técnica, por exemplo, de prioridade dada às circunstâncias da economia brasileira. “Como é um projeto muito caro e o setor privado não está disposto a pagar a conta, o que o governo fez? Vai dar R$ 22,25 bilhões via BNDES subsidiado”, aponta.

O economista acredita ainda que financiar projetos como estes é apoiar ações que o setor privado não tem interesse, nos termos em que são propostos, fugindo do propósito do Banco Nacional de Desenvolvimento. “A natureza do BNDES é investir em projetos de elevado retorno para sociedade, não em projetos que tenham um elevado retorno individual cujo setor privado poderia financiar”, afirma o Mansueto.

Outro exemplo do especialista, é a fusão Pão de Açúcar com o Carrefour, rejeitada nas últimas semanas pelo Grupo Casino.“Eu acho que é um investimento muito bom do ponto de vista privado, mas não faz o mínimo sentido do ponto de vista de participação de uma empresa pública como o BNDESPAR”.

E conclui: “o dinheiro público é para ajudar o setor privado a descobrir oportunidades, servindo também para participar de projetos que, mesmo que o retorno individual seja muito pequeno, o retorno social e o benefício para a sociedade é muito grande”.