Imprensa internacional

Economist sugere que Moro “pode ter ido longe demais” ao revelar grampos

“No passado, Moro já pareceu algumas vezes ter ido longe demais na sua perseguição obstinada contra a corrupção", afirma a revista

SÃO PAULO – Em matéria, a publicação britânica Economist ressaltou a intensificação da crise política brasileira, destacando que o “confronto entre o governo do Brasil e o sistema Judiciário acaba de ficar mais estranho e mais implacável”.

A reportagem destaca o debate em torno dos grampos telefônicos de conversa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva com parentes e políticos, dentre eles, a presidente Dilma Rousseff. Os áudios foram divulgados pelo juiz Sérgio Moro e há diversas contestações em torno de sutilezas legais, como se era da competência dele divulgar as gravações, uma vez que envolvia pessoas com foro privilegiado. Especificamente, sobre Dilma, a conversa foi gravada após o próprio juiz pedir que os grampos fossem interrompidos. 

Com isso, para a Economist, talvez Moro possa ter ido longe demais. “No passado, Moro já pareceu algumas vezes ter ido longe demais na sua perseguição obstinada contra a corrupção”. A revista cita ainda que diversos membros do STF (Supremo Tribunal Federal), corte máxima da Justiça brasileira, consideraram também que a condução coercitiva do ex-presidente Lula no último dia 4 de março, foi considerada exagerada. 

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A revista destaca, contudo, que as sutilezas legais não devem parar os cada vez mais “numerosos inimigos” do governo, que intensificaram ainda mais os protestos após as gravações terem sido reveladas. Agora, afirma o jornal, a sobrevivência política de Dilma depende se o PMDB, de Michel Temer, permanecerá ou não na coalizão. Enquanto isso, cada vez mais as revelações afastam os centristas remanescentes da presidente. 

A revelação das gravações foi a gota d’água, afirma a revista, destacando a saída de partidos da base do governo (como foi o caso do PRB logo após a divulgação). Com isso, em maio, a presidente pode ter poucos e preciosos amigos de esquerda, afirma a publicação. 

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