Imprensa internacional

Economist: Dilma se comporta como aliada leal da Venezuela e política precisa de mudança

Revista britânica analisa atuação do Brasil diante do conflito partidário na Venezuela e diz que, infelizmente, política externa só deve mudar se oposição vencer eleições de outubro

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SÃO PAULO – A revista britânica The Economist criticou novamente o governo brasileiro em edição que circulará no próximo final de semana. Desta vez, a publicação defende mudança na política externa brasileira e analisa a atuação do Brasil diante do conflito partidário na Venezuela e afirma que o governo da presidente Dilma Rousseff tem se “comportado como um aliado leal” à gestão do presidente Nicolás Maduro.

Segundo a Economist, as apostas do Brasil foram falhas e o próximo governo precisará de uma nova política externa. Voltando ao caso venezuelano, a publicação lembra que o antecessor Hugo Chávez, morto em março de 2013 em decorrência de um câncer, foi eleito, mas era autocrático. E, com os demais países da região, o Brasil não foi firme em atuar com firmeza diante do conflito que está ocorrendo na Venezuela, o que ajuda a dar legitimidade às ações do governo do país. 

E isso, diante da deterioração da economia e com a popularidade caindo cada vez mais, a The Economist aponta que Maduro continue repressivo. E, ainda, destaca que o atual presidente da Venezuela é um aliado estranho, uma vez que o PT (Partido dos Trabalhadores) afirma ser favorável à democracia e aos Direitos Humanos. 

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E um dos motivos para Dilma estar tão pouco interessada em uma ação mais forte na Venezuela é as eleições presidenciais de outubro. O texto também destaca a tradição de multilateralismo e não intervenção indica a posição do Brasil de falar, mas não agir. 

Enquanto critica Dilma, a reportagem elogia o seu antecessor, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e diz que o Brasil tem que ser mais ativo no exterior, passando por mais acordos comerciais. Além dos acordos regionais, a revista afirma que o governo “também deve obrigar que presidentes eleitos, como Maduro, respeitem padrões mínimos de governabilidade democrática e Direitos Humanos”. Porém, destaca, “infelizmente, essas mudanças, provavelmente, só virão se a oposição vencer em outubro”.