Comércio internacional

Economist comenta viagem de Dilma aos EUA: “Brasil está fazendo amigos novamente”

A revista britânica destaca visita de Dilma Rousseff aos EUA como forma de estreitar os laços, mas ainda devemos olhar para os resultados concretos disso

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SÃO PAULO – Na edição desta semana, a revista britânica The Economist destacou a visita da presidente Dilma Rousseff a Washington, estreitando os laços com a maior economia do mundo novamente após eles terem esfriados com as denúncias de espionagem da agência americana NSA contra a presidente brasileira. 

Na reportagem chamada “Making friends again” (fazendo amigos de novo), a revista destaca que, após a “melancolia invernal” nas relações entre o Brasil e os EUA, as relações entre Dilma e Barack Obama estão aquecidas, assim como os laços políticos estão mais fortes, inclusive em relação a acordos climáticos. A viagem de Dilma também foi dominada pelo aprofundamento das relações comerciais, ao falar sobre o pacote de infraestrutura, além dela ter visitado o Vale do Silício.

Para coincidir com a visita, os EUA prometeram derrubar a proibição de 14 anos sobre as importações de carne bovina brasileira e um acordo de flexibilização de barreiras não-tarifárias; a harmonização dos procedimentos aduaneiros pode acontecer no próximo ano.

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“Dilma tem motivos para estar à procura do exterior para o seu sucesso. Com o seu país atolado em estagflação, um escândalo de corrupção de vários bilhões de dólares que envolve cada vez mais os seus aliados políticos, e seu índice de aprovação baixíssimo, sua melhor esperança de uma boa notícia reside nas relações externas. Aos olhos brasileiros a economia americana parece alegre, apesar de um ligeiro desvio no primeiro trimestre”, destaca a revista.

A Economist ressalta que o valor do comércio brasileiro com a China caiu 19% entre janeiro e maio de nível do ano passado, assim como o preço das exportações de petróleo e de minério de ferro registram baixa.

E as duas grandes democracias do hemisfério ocidental certamente poderiam fazer muito mais juntos, afirma a revista. Por outro lado, destacam, quaisquer que sejam os imperativos do trabalho, o ritmo de atividades no exterior da presidente Dilma aumentou muito. Ela tem viajado menos do que o seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva, mas ela parece ter realizado mais negócios nos últimos seis meses do que nos quatro anos anteriores, no seu primeiro mandato. 

Além disso, um novo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, tem ajudado. Algum trabalho substancial foi feito, em meio às visitas do premiê chinês ao Brasil anunciando investimentos, entre outros. Em maio, Dilma havia assinado um acordo de comércio com o México e um acordo de cooperação com a OCDE. Em agosto, ela receberá a visita da chanceler da Alemanha, Angela Merkel e talvez visite o Japão antes do final do ano.

“Não pode se negar que há esforço por parte da presidente, mas recomenda-se cautela na avaliação do resultado disso, especialmente quando se trata de comércio”, afirma a revista, destacando que o Brasil já tinha acenado para a liberalização do comércio antes.

“Não importa quantas vezes eles digam abertura, as autoridades brasileiras não mudam uma obsessão mercantilista com as exportações. A não ser que seja solicitado, os ministros em Brasília quase não mencionam as importações, que ainda estão impedidos por tarifas e burocracia”, afirma a revista.

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Além disso, Obama está estudando um enorme tratado de livre comércio com economias do Pacífico (que exclui a China) e um com os europeus. Ambos os projetos deixam o Brasil à margem.

Do lado positivo, olhar mais para o exterior é um reflexo além das mudanças da presidente. “Muitos líderes empresariais brasileiros já perceberam que, para sobreviver a próxima onda de globalização eles terão de aprender a competir com rivais estrangeiros”.

“Para o Brasil a alcançar o seu potencial como um bom nome global (economicamente e diplomaticamente), vai demorar mais do que uma presidente politicamente necessitada. Felizmente, muitos outros brasileiros influentes, tanto dentro como fora da política, parecem finalmente ter entendido isso”, conclui a revista.