Problemas se acumulam

Economist: “cada dia mais, evidencia-se a bagunça que Dilma deixou para si mesma”

Blog da publicação britânica ressalta que, mesmo com novo ministro da Fazenda, não é garantido que ele fará mudanças genuínas

SÃO PAULO – No encontro com outros chefes de Estado do G-20 em Brisbane, na Austrália, Dilma Rousseff não teve muito mais o que celebrar do que a sua vitória apertada nas urnas. É o que diz o blog da publicação britânica The Economist do último final de semana ao ressaltar que, cada dia mais, se evidencia a bagunça que a presidente deixou para si mesma. 

A The Economist ressalta diversos pontos ruins da economia brasileira, como o déficit orçamentário maior, queda da produção industrial e aumento da pobreza. E até mesmo o mercado de trabalho, que era fonte de boas notícias até recentemente, com o desemprego próximo a mínima histórica de 5%, começa a dar sinais de fraqueza.

Além disso, dias antes, teve início uma disputa envolvendo uma lei enviada ao Congresso que, na prática, permitiria a Dilma transformar o déficit externo em um excedente fiscal primário. E, no dia 14 de novembro, a Polícia Federal reuniu dúzias de suspeitos envolvidos numa investigação envolvendo a gigante de petróleo Petrobras (PETR3;PETR4), envolvendo o PT e outros partidos de coalizão.

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A apreensão ocorreu, ressalta a revista, após a companhia anunciar que atrasaria a divulgação de resultados do terceiro trimestre. E o presidente da BM&FBovespa, Edemir Pinto, declarou abertamente temer que o escândalo prejudicasse a reputação da bolsa de valores brasileira.

Enquanto isso, as projeções de crescimento para 2014 estão em zero e os economistas revisam para baixo as projeções para o ano seguinte. Dentre as 20 maiores economias do mundo, apenas Itália e Argentina têm crescimento inferior ao brasileiro neste ano. Enquanto isso, grandes empresas que divulgaram seu resultado se queixam da política econômica e da incerteza atual.

Além disso, a presidente vem recebendo queixas até mesmo de seus aliados, caso de Marta Suplicy que, ao sair do ministério da Cultura, pediu que Dilma escolhesse uma equipe econômica comprometida com a “estabilidade e o crescimento econômico”. Por isso, não ajuda o fato de Dilma ainda não dizer quem será o novo ministro da Fazenda. 

E a Economist diz: muitos acreditam que qualquer nome seria melhor do que Guido Mantega, atual ministro da Fazenda já de saída. Contudo, os céticos apontam que a maior interferência microeconômica e o déficit de prudência não foram obras de Mantega e seriam de “ordens de cima”. “Se assim for, nem mesmo um ministro mais favorável aos negócios pode garantir mudanças verdadeiras. Com um caminho acidentado pela frente, não está claro que alguém desejaria este cargo”, concluiu.