Livro revela

“É a única forma de governar o Brasil”, teria confessado Lula a Mujica sobre mensalão

“Lula não é um corrupto como (Fernando) Collor de Mello e outros ex-presidentes brasileiros”, disse Mujica em uma das cem horas de entrevistas que concedeu aos jornalistas que escreveram o livro

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SÃO PAULO – Nesta semana, está sendo lançado um livro-reportagem no Uruguai que conta os cinco anos do governo de José Mujica a partir do ponto de vista do ex-presidente. Escrito pelos jornalistas uruguaios Andrés Danza e Ernesto Tulbovitz, o livro “Una oveja negra al poder” (Uma ovelha negra no poder, em tradução livre) e ainda sem data para estrear no Brasil, conta experiências do uruguaio com outros líderes da América Latina, como destaca o jornal O Globo.

Mujica relembra no livro um dos encontros que teve com Lula e relata que, ao falarem sobre o escândalo do mensalão, que funcionava através da compra de apoio político, o ex-presidente brasileiro teria lhe dito que aquela era “a única forma de governar o Brasil”.

“Lula não é um corrupto como (Fernando) Collor de Mello e outros ex-presidentes brasileiros”, disse Mujica em uma das cem horas de entrevistas que concedeu aos jornalistas. “Mas viveu esse episódio (do mensalão) com angústia e um pouco de culpa”.

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O assunto veio à tona em 2010 e Lula confessou: “neste mundo tive que lidar com muitas coisas imorais, chantagens”. E emendou: “essa era a única forma de governar o Brasil”. O ex-vice-presidente uruguaio Danilo Astori também ouviu a “confissão” de Lula, segundo Mujica.

Lula sempre negou saber do escândalo do mensalão e pouco depois do escândalo explodir, o então presidente fez um discurso afirmou se sentir “traído por práticas inaceitáveis das quais nunca tivera conhecimento”. Depois, passou a afirmar que a existência do esquema nunca havia sido comprovada e que seus colegas de partido tiveram uma punição política. O livro também destaca que Mujica admira Lula e que ele é um “baixinho bárbaro”.

Em entrevista ao jornal El País, Mujica classificou a corrupção no Brasil como algo inexplicável. “A questão de ter dinheiro para ser alguém pode ser uma ferramenta de progresso no mundo do comércio, onde há riscos empresariais, mas, quando isso se insere na política, estamos fritos. (…) É inexplicável isso no Brasil”, afirmou em entrevista concedida em Buenos Aires.

“A democracia moderna é muito cara. O Brasil é muito grande, tem estados que são como países. Ali há partidos locais e o governo nacional tem de negociar com eles. Aí começa tudo”, afirmou.