Barômetro do Poder

Doria é o favorito nas prévias presidenciais do PSDB, dizem analistas

Apesar de disputa acirrada, poderosa estrutura do partido em São Paulo pode dificultar o caminho para Eduardo Leite, que conta com a simpatia de caciques

Por  Marcos Mortari -

SÃO PAULO – Após uma semana marcada por contratempos enfrentados com falhas no aplicativo de votação de filiados e um nível crescente de tensão entre os candidatos, o PSDB retoma, neste sábado (27), as prévias que devem definir o representante do partido nas próximas eleições para a Presidência da República.

Disputam a indicação do partido o ex-prefeito de Manaus Arthur Virgílio e os governadores João Doria, de São Paulo, e Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul – sendo que apenas os dois últimos são apontados nos bastidores com chance efetiva de vencer.

A expectativa de observadores políticos é de que o resultado seja apertado, o que, dado o contexto da sigla, pode provocar feridas ainda mais profundas.

Entre analistas políticos consultados pelo InfoMoney, a maioria aposta que João Doria é favorito, embalado pela poderosa estrutura que o partido construiu em São Paulo ao longo de quase três décadas ininterruptas no poder.

A vitória do governador paulista entre o grupo dos filiados é dada como praticamente certa na sigla, ao passo que Leite deve levar vantagem entre os caciques – o que torna o resultado do processo traiçoeiro para previsões (entenda como funciona a votação nas prévias tucanas ao final desta matéria).

A 30ª edição do Barômetro do Poder, iniciativa do InfoMoney que compila mensalmente as avaliações e expectativas de consultorias de análise de risco político e analistas independentes sobre assuntos em destaque na política nacional, mostra que, apesar da disputa acirrada, 71% dos consultados reputam Doria como o provável vencedor, ao passo que apenas 7% apostam em Leite.

Outros 21% acreditam que o partido terminará sem candidato próprio nas próximas eleições presidenciais – sonho velado de alguns caciques da legenda que receiam que a falta de recursos dos fundos partidário e eleitoral castiguem seus próprios projetos de reeleição e reduzam o tamanho da bancada tucana no Congresso Nacional a partir de fevereiro de 2023.

Esta edição do Barômetro do Poder foi realizada entre os dias 22 e 24 de novembro, com questionários aplicados por meio eletrônico. Foram ouvidas 10 casas de análise de risco político – BMJ Consultores Associados; Control Risks; Dharma Political Risk & Strategy; Empower Consultoria; Medley Global Advisors; Patri Políticas Públicas; Ponteio Política; Prospectiva Consultoria; Pulso Público; Tendências Consultoria Integrada – e 4 analistas independentes – Antonio Lavareda (Ipespe); Carlos Melo (Insper); Claudio Couto (EAESP/FGV) e Thomas Traumann.

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Conforme acordado previamente com os analistas, os resultados do levantamento são divulgados apenas de forma agregada, sendo preservado o anonimato das respostas e comentários.

Qualquer que seja o escolhido pelos tucanos, os analistas políticos veem um caminho desfavorável para a sigla na próxima corrida presidencial. Além de pontuar pouco nas pesquisas – segundo o último levantamento Ipespe, Doria e Leite tinham apenas 2% das intenções de voto nas simulações de primeiro turno – o futuro candidato terá de lidar com um ambiente polarizado entre o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que concentram 2/3 do eleitorado, e uma “terceira via” congestionada.

A menos de um ano do pleito, há uma miríade de possíveis candidaturas postas que tentam ocupar o espaço do chamado “centro” e sonham em roubar a vaga de Lula e de Bolsonaro para o segundo turno.

Para isso, uma das primeiras missões será concentrar os esforços e desejos do bloco em torno de uma candidatura. E, se depender da opinião dos analistas, este nome não está no PSDB.

Segundo o Barômetro do Poder, 7 dos 14 analistas consultados (54%) acreditam que o ex-juiz Sérgio Moro (Podemos) é o possível candidato com mais chances de representar este grupo alternativo. Com dois dígitos nas pesquisas e no embalo de seu ingresso formal à política partidária, ele aproveita o tempo para ocupar espaços no tabuleiro eleitoral.

“Enquanto Bolsonaro dá um “all-in” na complicada busca pela reeleição ao se entregar à aliança com o PL, de Valdemar Costa Neto, o ex presidente Lula realizou expressiva demonstração de força em sua recente agenda na Europa. A terceira via segue batendo cabeça, e Sérgio Moro se fortalece ao se antecipar, surgindo como uma segunda via do bolsonarismo”, disse um analista.

Para muitos entrevistados (38%), contudo, esse grupo disforme que concentra distintas bandeiras e objetivos políticos não terá capacidade de coordenação para lançar um único representante na corrida presidencial. Outros 8% apostam em Rodrigo Pacheco (PSD-MG), presidente do Senado Federal. Mas ninguém colocou suas fichas nos possíveis representantes tucanos.

Novela tucana

A votação para definir o candidato do PSDB ao Palácio do Planalto começou no último domingo (21), mas foi suspensa após falhas no aplicativo utilizado para coletar os votos de filiados. Dos 44.700 integrantes da legenda que se cadastraram para votar nas prévias, menos de 4 mil conseguiram exercer seu direito.

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O app utilizado no último domingo pelo partido foi desenvolvido pela Fundação de Apoio à Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Faurgs). Depois das falhas e insatisfeita com as respostas apresentadas, a sigla iniciou testes com outro aplicativo, desenvolvido pela empresa RelataSoft, mas informou que os resultados não foram “totalmente satisfatórios”.

O PSDB decidiu, então, fechar com a empresa BeeVoter. A previsão é que a votação comece às 8h (horário de Brasília) e termine às 17h. A expectativa é que o vencedor seja conhecido ainda na noite do sábado. Enquanto a sigla tenta virar a página das trapalhadas que marcaram a primeira prévia presidencial de sua história, há receio entre tucanos de que o processo seja judicializado por um candidato derrotado.

Como funcionam as prévias no PSDB?

Nas prévias tucanas, o eleitorado é dividido em quatro grupos, cada um com peso unitário de 25% do total de votos válidos. São eles:

I) Filiados ao partido;

II) Prefeitos e vice-prefeitos;

III) Vereadores, deputados estaduais e distritais;

IV) Governadores, vice-governadores, senadores, deputados federais, ex-presidentes e o atual presidente da Comissão Executiva Nacional do partido.

No caso dos grupos I, II e IV, os votos atribuídos a cada candidato são divididos pelo número total de eleitores de cada, e os resultados são multiplicados por 0,25.

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Já o grupo III é dividido em dois subgrupos, com igual peso. Neste caso, os votos atribuídos a cada candidato são divididos ao total de eleitores de cada subdivisão e posteriormente multiplicados por 0,125. Ao final, é feita a soma das duas categorias.

É considerado escolhido como representante do PSDB no pleito de 2022 o candidato que obtiver a maioria absoluta dos votos válidos, considerado o resultado do somatório da votação obtida em cada grupo com os devidos pesos.

Se nenhum candidato alcançar maioria absoluta dos votos, os dois mais bem posicionados disputarão segundo turno, sendo escolhido o mais votado, seguindo os mesmos critérios descritos.

De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o PSDB tem 1.354.901 de filiados. Deste grupo, apenas 44.700 se cadastraram para votar nas prévias (ou seja, 3,30%). A maioria deles (62%) está em São Paulo.

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