Radar político

Doria comemora interesse nacional por ele, Dilma admite “grande erro” e mais notícias da política

Delatores da Andrade Gutierrez afirmaram que a empreiteira pagava propina para que o TCE-SP não apontasse problemas em licitações e contratos de obras, a estratégia de Lula para a candidatura à presidência e mais destaques

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*Atualizada às 17h33

SÃO PAULO – O noticiário político foi bastante movimentado neste final de semana, com destaque para novas revelações com base em depoimento de ex-executivos de empreiteiras, além de fala da Dilma Rousseff e a estratégia de Lula para sua candidatura ao Planalto. Confira os destaques da política:

Doria comemora interesse nacional em seu nome

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Em mensagem nas redes sociais neste final de semana, o prefeito de São Paulo João Doria (PSDB) afirmou estar contente em saber que pessoas de todo país têm demonstrado interesse sobre seu desempenho na cidade. “Fico feliz em saber que nosso trabalho está despertando curiosidade em todo país!”, disse ele em sua página oficial no Facebook.

Doria fez referência a uma nota publicada no domingo pelo jornal O Estado de S. Paulo, em que afirma que o deputado federal Heráclito Fortes (PSB-PI) está impressionado com a popularidade do prefeito paulistano, até mesmo no interior do Piauí. “Todo mundo quer saber quem é esse tal de Doria”, disse o deputado ao Estadão. 

No início do mês, a Folha informou que o nome de Doria já é cogitado dentro do PSDB como alternativa para a disputa presidencial em 2018, em meio ao desgaste dos “caciques” do partido. Doria reiterou seu apoio ao governador paulista, Geraldo Alckmin (PSDB). Já segundo o jornal O Estado de S. Paulo aponta que, após Alckmin reconhecer publicamente pela primeira vez na semana passada a intenção de disputar o Palácio do Planalto em 2018, tucanos paulistas já defendem abertamente a candidatura do prefeito de São Paulo, João Doria, ao governo paulista. Antes discutida de forma reservada pela cúpula e por parlamentares do PSDB paulista, a tese de lançar Doria ao Palácio dos Bandeirantes ganhou força ontem.

Lula e sua estratégia

O PT organiza evento de lançamento da pré-candidatura do ex-presidente Lula ao Palácio do Planalto já para abril, segundo informa o jornal O Globo. Com esse cronograma, Lula já sentaria na condição de pré-candidato diante do juiz Sérgio Moro, no dia de 3 de maio, para depor na fase final do processo em que é acusado de ter sido beneficiado pela construtora OAS na compra de um apartamento tríplex no Guarujá (SP). 

 Segundo o jornal, petistas avaliam que o anúncio da intenção de disputar a eleição de 2018 cria um fato político. Em caso de condenação, reforça o discurso de vitimização e perseguição que o ex-presidente tem adotado desde que passou a ser investigado na Lava-Jato. A condição de pré-candidato ajudaria ainda a mobilizar os simpatizantes do ex-presidente a irem a Curitiba para acompanhar a audiência. A CUT planeja organizar caravanas para fazer um espécie de vigília na frente do prédio da Justiça Federal.

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Dilma admite erro

A ex-presidente Dilma Rousseff admitiu que cometeu um “grande erro” ao promover a desoneração fiscal. Em Genebra, na Suíça, para participar de debates e seminários, a brasileira foi questionada se era capaz de assumir seus erros e se estava arrependida de alguma decisão que tomou enquanto governou o Brasil.

“Eu acreditava que, se eu diminuísse impostos, eu teria um aumento de investimentos”, disse a ex-mandatária. “Eu diminuí e me arrependo disso. No lugar de investir, eles (os empresários) aumentaram a margem de lucro”, afirmou.

Segundo a petista, uma das acusações que lhe foram feitas é de ter mantido uma política fiscal “mais frágil”. “Errei em uma coisa: tentamos fazer com que os investimentos fossem aumentados. Fiz uma grande desoneração, brutalmente reduzimos os impostos”, disse. “Ali, eu cometi um grande erro. (…) Acreditava que, se fizéssemos isso, eles iriam investir mais e a coisa seria melhor. Eu errei.”

Uma parte das políticas de Dilma chegou a ser condenada na Organização Mundial do Comércio (OMC), como a redução de IPI para empresas locais. Sua avaliação, porém, é de que houve uma “subestimação das razões da crise econômica” enfrentada pelo País.

Ainda nesta segunda-feira, a ex-presidente insistiu em declarar nesta segunda que fez “uma grande burrada” ao reduzir impostos para empresas durante seu mandato. O comentário foi feito em uma reunião fechada com estudantes brasileiros, em Genebra. “A cultura no Brasil é a de que é um absurdo pagar imposto. Mas como faz programa social sem impostos?”, questionou. 

Andrade Gutierrez diz que subornava TCE-SP

Um executivo e um ex-diretor da Andrade Gutierrez afirmaram, em negociação de acordo de delação com a Operação Lava Jato, que a empreiteira pagava propina para que o Tribunal de Contas do Estado de São Paulo não apontasse problemas em licitações e contratos de obras, sobretudo os do Metrô, informou o jornal Folha de S. Paulo neste final de semana. 

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Um dos relatos diz que a empresa pagava o correspondente a 1% do valor do contrato que estava sob análise do tribunal para Eduardo Bittencourt Carvalho, ex-conselheiro do órgão. O valor era entregue em dinheiro vivo para representantes do conselheiro, segundo um candidato a delator.

Caixa 2 para Aloysio Nunes

O mesmo jornal informa que o novo ministro das Relações Exteriores do governo Michel Temer, Aloysio Nunes (PSDB),teria recebido R$ 500 mil pelo caixa dois para a sua campanha ao Senado, nas eleições de 2010.

As informações são delação premiada do ex-diretor da Odebrecht, Carlos Armando Paschoal, conhecido como CAP. O ex-executivo da empreiteira disse ainda que foi o próprio Aloysio quem pediu o dinheiro, entregue em duas ou três parcelas, durante encontros em hotéis da capital paulista.

Lista de Janot

A tensão em Brasília cresce antes do procurador-geral Rodrigo Janot encaminhar ao STF entre esta segunda e terça-feira a lista com cerca de 80 pedidos de abertura de inquérito de integrantes do governo e da oposição baseada na delação de executivos da Odebrecht. Porém, os jornais informam que o impacto deve ser limitado no mercado, dado que o sigilo deve ser mantido por algum tempo e a Constituição impede que o presidente seja investigado por fatores anteriores ao seu mandato. Segundo o blog do Noblat, do jornal O Globo, aliados de Temer cogitam que haja cerca de 400 políticos arrolados pelos 78 delatores da Odebrecht nos níveis federal, estadual e municipal. 

Além disso, o presidente Michel Temer pode ser poupado de investigação, assim como ocorreu com Dilma quando Janot enviou sua primeira lista, dois anos
atrás, diz Globo. Já o Valor informa que a divulgação do conteúdo das delações da Odebrecht só deve ocorrer nas próximas semanas. Os pedidos devem incluir a demanda para retirar o sigilo das informações e serão enviados ao relator da Lava Jato, Edson Fachin. Porém, o Estadão informa que, se no mercado o efeito pode ser limitado, a “Lista de Janot” estaria mudando o ritmo em Brasília e o Congresso
teme por votações. Para se contrapor à Lava Jato e manter o clima de normalidade, Temer vai tentar focar em agendas positivas. 

(Com Bloomberg e Agência Estado)

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