Investigações

Dono de jato foi beneficiado por decreto de Campos em 2011, afirma Estadão

O decreto assinado por Campos foi publicado em 24 de setembro de 2011 e altera incentivo concedido à empresa pelo governador José Mendonça Filho em 2006 que impôs limites para a importação da empresa

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SÃO PAULO – Uma das empresas apontadas como a compradora do jato Cessna usado pela campanha do PSB à Presidência da República foi beneficiada por um decreto assinado por Eduardo Campos, de acordo com a Polícia Federal.

Campos ampliou incentivos fiscais concedidos à Bandeirantes Companhia de Pneus LTDA, na época Bandeirantes Renovação de Pneus na época em que era governador de Pernambuco, segundo informações do jornal “O Estado de S. Paulo”. O decreto de Campos retirou limites de importação de pneus à empresa que haviam sido definidos pelo governo anterior ao dele.

O jato Cessna caiu em Santos no início deste mês matando Campos e outras seis pessoas. Nas últimas semanas, a AF Andrade, oficialmente dona da aeronave, informou ao órgão regulador da aviação que vendeu o jato para um grupo de empresários de Pernambuco. O decreto assinado por Campos foi publicado em 24 de setembro de 2011 e altera incentivo concedido à empresa pelo governador José Mendonça Filho em 2006 que impôs limites para a empresa importar pneus para veículos e máquinas industriais, pneus para máquinas agrícolas ou florestais e pneus para veículos diversos, retirando todos os limites.

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A Bandeirantes Companhia de Pneus LTDA está em nome de Apolo Santa Vieira, que teria comprado a aeronave em sociedade com o empresário pernambucano João Carlos Lyra de Melo Filho. Lyra, em maio do ano passado, assinou compromisso de compra da aeronave e indicou as empresas Bandeirantes e BR Par para assumir dívidas junto à Cessna. O PSB afirmou, em nota, que o avião foi emprestado para a campanha de Eduardo Campos e não se manifestou sobre suspeitas de que o avião foi comprado com caixa dois.

De acordo com o jornal Valor Econômico, apesar de oficialmente afirmar não investigar o caso além da causa da queda do avião, agentes da PF trabalham com auditores fiscais para apurar suspeitas de fraudes financeiras que envolveriam empresas pernambucanas.

(Com Agência Estado)