Lava Jato

Dono da Engevix cita Temer, Renan e campanha de Dilma em delação premiada, diz revista

De acordo com a Época desta semana, o executivo explicou diversos esquemas de corrupção que mostram o envolvimento de diversos políticos

SÃO PAULO – A revista Época desta semana afirma que José Antunes Sobrinho, um dos donos da Engevix, empreiteira que cresceu a partir de 2003 por meio de contratos, financiamentos e empréstimos obtidos com estatais e bancos públicos, decidiu entregar para a Polícia Federal boa parte do que sabe sobre os esquemas de corrupção que fez parte. Ele foi preso pela Lava Jato em setembro do ano passado sob suspeita de envolvimento em esquema de propina na obra de Angra 3

De acordo com a publicação, Sobrinho mencionou o vice-presidente Michel Temer (PMDB-SP), o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e o caixa da campanha presidencial de 2014 de Dilma Rousseff em proposta de delação premiada que está sendo negociada com a Procuradoria-Geral da República.

A revista afirma que a Argeplan, uma empresa de arquitetura de São Paulo que seria ligada a Temer, ganhou licitação de R$ 162 milhões da Eletronuclear para operar na usina de Angra 3 em 2012. Sobrinho diz em sua proposta de delação que esteve por duas vezes no escritório de Temer, em São Paulo, acompanhado de um dos sócios da Argeplan, João Baptista Lima Filho, para tratar de assuntos ligados à Eletronuclear.

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O executivo afirma ter sido cobrado por Lima, que dizia agir em nome de Temer, a fazer pagamento de R$ 1 milhão que iria para a campanha do peemedebista em 2014. Segundo a publicação, Antunes diz que fez o pagamento por intermédio de uma fornecedora da Engevix. Lima, mais tarde, teria tentado devolver o dinheiro, mas Sobrinho afirma que não aceitou.

Temer admitiu para a Época que recebeu Lima e Sobrinho em São Paulo, mas afirmou que o encontro era para tratar de uma obra tocada pela Engevix, e disse também que não autorizou ninguém a buscar recursos ilícitos em nome dele.

Outra revelação é a suposta destinação de recursos não contabilizados oficialmente para o PT, em troca de vantagens em obras e em estatais como a Caixa Econômica Federal. A revista diz ainda que Antunes Sobrinho fez pagamentos a um intermediário para ser apresentado a Carlos Araújo, ex-marido de Dilma, a quem teria pedido ajuda para manter concessões em dois aeroportos, supostamente ameaçadas por causa da insatisfação do Palácio do Planalto com o ritmo de obras nos mesmos.

Na delação, ainda segundo a reportagem, o empreiteiro ressalvou que nunca recebeu cobrança direta de recursos de Carlos Araújo, e disse ignorar se o intermediário atuava por conta própria ou como representante do ex-marido da presidente.

Antunes Sobrinho também teria feito pagamentos para Erenice e Dirceu.