Dólar se aproximará de R$ 2,00 após capitalização da Petrobras, diz NGO

Corretora acredita que o forte fluxo cambial esperado com o aumento de capital irá zerar as posições vendidas dos bancos

SÃO PAULO – Não se limitando apenas ao mercado de ações, as discussões acerca da capitalização da Petrobras (PETR3, PETR4) também têm ganhado notoriedade no mercado cambial brasileiro. Nesse âmbito, a NGO Corretora espera que, passados os efeitos do aumento de capital da petrolífera, a taxa de câmbio deve voltar a subir, com o dólar terminando 2010 próximo do patamar de R$ 2,00.

Explicando primeiramente a relação entre o câmbio e a capitalização da Petrobras, o economista e diretor executivo da NGO, Sidnei Moura Nehme, comenta que, com a conclusão dessa capitalização, espera-se uma forte remessa de divisas estrangeiras ao País, tendo em vista a forte participação de investidores internacionais na operação. Esse cenário favorece uma depreciação da moeda norte-americana em relação ao real.

Na visão da Nehme, esse forte fluxo cambial esperado com a oferta é o que tem sustentado a aposta dos bancos brasileiros na queda do dólar, já que atualmente suas posições vendidas na moeda encontram-se em torno de US$ 12 bilhões.

PUBLICIDADE

Contudo, após essa liquidação de posições, o economista da NGO espera ver uma trajetória ascendente da divisa dos EUA. “A questão em torno da capitalização da Petrobras continua sendo o ‘gatilho’ para que os bancos, zerando suas posições vendidas, permitam então o descolamento da taxa cambial, que deverá ser pressionada no último quadrimestre do ano”, diz o economista.

Dois fatores
Para ele, dois fatores que deverão favorecer nessa reversão de tendência: o envio de lucros das multinacionais às suas filiais e as eleições. No primeiro caso, Nehme espera ver nessa segunda metade do ano uma maior remessa de lucros, dividendos, juros sobre capital próprio e transferência de caixa das multinacionais com atuação no País, “para atender necessidades de liquidez por parte de suas matrizes”. Essa questão inclusive esteve em pauta nesta segunda-feira (30) no discurso do ministro da Fazenda, Guido Mantega.

Já sobre as eleições, o diretor executivo da corretora atesta que, embora não seja esperada uma mudança muito brusca na escolha do novo presidente da República, a expectativa é de que nesses períodos a participação dos investidores diminua. “Este é um período em que os investidores estrangeiros ficarão observando mais e agindo menos”, explica Nehme.

“Certamente, os bancos não desejam ser patronos de remessas maiores de dólares em decorrência de o real estar excessivamente apreciado, por isso acreditamos que o preço da moeda americana deverá aproximar-se mais de R$ 2,00 ao final do ano”, conclui o economista em seu relatório.