Dólar comercial opera em queda, com menor pressão associada à Líbia

Possíveis consequências da crise vão desde a questão do petróleo até o seu alastramento por outros países

SÃO PAULO – O dólar comercial opera nesta quarta-feira (23) em queda de 0,30%, cotado a R$ 1,668 na venda, em uma sessão marcada por certo alívio na apreensão de investidores quanto aos possíveis desenvolvimentos da crise política no mundo árabe.

Com a variação desta quarta-feira, a moeda norte-americana registra queda de 0,36% neste mês de fevereiro, porém uma valorização de 0,11% desde o início do ano.

Segundo os consultores da LCA, a trajetória para a cotação da divisa norte-americana nesta sessão é de queda. “A tendência internacional de ajuste e a postura do investidor estrangeiro para defender sua exposição deverão levar a queda da taxa cambial”, afirmam.

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Na agenda de indicadores, destaque para a divulgação do fluxo cambial da terceira semana deste mês às 12h30 pelo Banco Central. Nos EUA, o dado que deve chamar mais atenção do mercado é o Existing Home Sales, que mede o número de vendas de imóveis usados.

Crise segue na pauta
A crise política nos países do Oriente Médio e norte da África continua com grande peso na pauta dos investidores nesta sessão. O foco do momento é a Líbia, onde a situação agravou-se na véspera, quando o líder líbio Muammar Khaddafi afirmou que não pretende deixar o governo. Autoridades do país declaram os confrontos já deixaram 300 mortos, mas outras fontes apontam números bem maiores.

Cabe lembrar que as manifestações na Líbia acontecem após protestos políticos semelhantes terem derrubado os governos na Tunísia e no Egito. Um dos principais temores do mercado é que a crise continue a se espalhar na região, historicamente instável, e ganhando contornos mais violentos. Em decorrência disso, o preço do petróleo está em alta nas sessões mais recentes: na véspera, a cotação da commodity registra alta de 0,40% neste momento.

Além da trajetória de alta do petróleo, o mercado tem observado nas últimas sessões um aumento na procura por ativos considerados de menor risco. O ouro, tido como reserva de valor em tempos de instabilidade, avança 0,27%. Esse movimento de busca por investimentos considerados de maior segurança denota o aumento da aversão ao risco no mercado.