Operação Lava Jato

Documento diz que Cunha recebeu R$ 45 mi do BTG para aprovar emenda; deputado e banco negam

O documento foi relatado no pedido para conversão da prisão banqueiro André Esteves e de Diogo Ferreira de temporária em preventiva, que foi acolhida pelo ministro do STF Teori Zavascki.

SÃO PAULO – Um documento que foi encontrado na casa do chefe de gabinete do senador Delcídio do Amaral (PT-MS), Diogo Ferreira, possui uma escrita no verso que sinaliza um suposto pagamento de R$ 45 milhões do BTG Pactual (BBTG11) para Eduardo Cunha, presidente da Câmara dos Deputados.

Esse pagamento teria sido feito para a aprovação de uma emenda que beneficiaria o banco, conforme atesta a PGR (Procuradoria Geral da República). O documento contém o seguinte texto:  “Em troca de uma emenda à Medida Provisória número 608, o BTG Pactual, proprietário da massa falida do banco Bamerindus, o qual estava interessado em utilizar os créditos fiscais de tal massa, pagou ao deputado federal Eduardo Cunha a quantia de R$ 45 milhões”. 

O documento foi relatado no pedido para conversão da prisão banqueiro André Esteves e de Diogo Ferreira de temporária em preventiva, que foi acolhida pelo ministro do STF Teori Zavascki. 

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“Pelo BTG participaram da operação Carlos Fonseca, em conjunto com Milthon Lyra. Esse valor também possuía como destinatário outros parlamentares do PMDB. Depois que tudo deu certo, Milton Lyra fez um jantar pra festejar. No encontro tínhamos as seguintes pessoas: Eduardo Cunha, Milton Lira, Ricardo Fonseca e André Esteves”, diz ainda o documento.

Cunha negou com veemência as acusações: “um verdadeiro absurdo e parece até armação aparecer uma anotação com uma pessoa que não conheço citando coisas inexistentes”.

“Desminto o fato e coloco sob suspeição essa anotação. E incrível transformar uma anotação em acusação contra mim. E mais, citam um suposto encontro com pessoas que não conheço e assim como não conheço esse assessor do Delcidio”, afirmou pelo Twitter.

“Repito, o fato é falso, assim como estou achando isso uma armação. Por que não esclareceram com o tal assessor essa anotação? Amanhã qualquer um anota qualquer coisa sobre terceiros e vira verdade? Desafio a provarem qualquer emenda minha que tenha sido aprovada nessa MP. Desafio a encontrarem qualquer participação minha em discussão dessa MP”, continuou.

Nota do BTG Pactual

O BTG Pactual negou também que fez pagamento para obter benefício com a inclusão da MP 608 e disse estar à disposição de autoridades para esclarecimentos.. Segue a nota na íntegra:

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“Nota à imprensa

O BTG Pactual nega veementemente a realização de qualquer tipo de pagamento para suposto benefício referente a Medida Provisória n. 608, de 1º de março de 2013.

O BTG Pactual informa que está à disposição das autoridades para prestar todos os esclarecimentos necessários.

Roteiro de esclarecimento sobre a MP 608/13 1 – A Medida Provisória 608/13, no âmbito das novas regras de Basiléia 3, que visaram aperfeiçoar a capacidade das instituições financeiras absorverem choques na economia diminuindo riscos dos depositantes e severidade de crises bancárias, dispõe basicamente sobre os pontos abaixo: 

a) Crédito presumido apurado com base em créditos decorrentes de diferenças temporais;

b) Títulos de crédito e instrumentos emitidos por instituições financeiras para a composição do seu patrimônio de referência para o cômputo dos índices de Basiléia.

2 – Note-se que com referência ao item 1A, o artigo 17º determina que ele só se aplica aos eventos que vierem a ocorrer a partir de 1º de janeiro de 2014. (Portanto, não se aplica a nenhuma das liquidações ocorridas antes dessa data).”