Ditador de Belarus declara apoio a Lula em 2026 e oferece ajuda na campanha

Declaração gera ruído diplomático ao associar pleito brasileiro a regime acusado de fraudes e repressão

Marina Verenicz

Alexander Lukashenko durante votação em Minsk 26/1/2025 REUTERS/Evgenia Novozhenina
Alexander Lukashenko durante votação em Minsk 26/1/2025 REUTERS/Evgenia Novozhenina

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O presidente e ditador de Belarus, Aleksandr Lukashenko, afirmou apoiar a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2026 e disse estar disposto a colaborar para que as eleições brasileiras ocorram em um ambiente “pacífico e tranquilo”. A informação foi divulgada pela Belta, agência estatal de notícias bielorrussa.

A declaração ocorreu durante reunião realizada nesta segunda-feira (2) com o embaixador do Brasil em Minsk, Bernard Klingl. Segundo a Belta, Lukashenko avaliou que o Brasil vive um “momento político importante” e afirmou esperar que Lula “permaneça no cargo” após o próximo pleito, acrescentando que, pelo que sabe, o presidente brasileiro já confirmou intenção de disputar a eleição.

No encontro, Lukashenko foi além do gesto político e ofereceu apoio prático à organização das eleições no Brasil. “Se necessário, faremos todo o possível para garantir que as eleições no Brasil ocorram em um ambiente pacífico e tranquilo, no interesse do povo brasileiro”, disse, conforme a agência estatal.

Oportunidade com segurança!

A fala tende a gerar desconforto diplomático. Lukashenko está no poder desde 1994 e é o primeiro e único presidente da história de Belarus. Embora tenha sido eleito nas primeiras eleições após a dissolução da União Soviética, seus sucessivos mandatos não são reconhecidos como plenamente livres por opositores e por países ocidentais, que apontam indícios recorrentes de fraude eleitoral.

Aliado próximo do presidente russo Vladimir Putin, Lukashenko governa um país frequentemente citado por organizações internacionais de direitos humanos por práticas de repressão política, censura à imprensa e perseguição a opositores. Belarus é também o único país da Europa e da ex-União Soviética que ainda mantém a pena de morte em vigor.

Embora não tenha efeito prático sobre o processo eleitoral, a manifestação pública de apoio vinda de um regime autoritário tende a ser explorada no campo político e a ampliar o escrutínio internacional sobre as narrativas em torno das eleições de 2026.

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