Disputa eleitoral antecipada: PT acusa Flávio de manipular fala de Lula e aciona AGU

Líder do partido na Câmara acusa senador de desinformação e pede atuação preventiva da Justiça Eleitoral às vésperas do ciclo de 2026

Marina Verenicz

O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) discursa da tribuna do plenário da Câmara (Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados)
O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) discursa da tribuna do plenário da Câmara (Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados)

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O líder do PT na Câmara dos Deputados, Lindbergh Farias (RJ), protocolou nesta terça-feira (20) uma representação na Advocacia-Geral da União contra o pré-candidato à Presidência e senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

A iniciativa ocorre após a divulgação, nas redes sociais, de um vídeo editado com fala do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), atribuindo a ele a frase “pobre não nasceu para estudar”.

Segundo Lindbergh, o conteúdo foi manipulado para alterar o sentido original do discurso presidencial e configura um caso de desinformação com potencial impacto institucional e eleitoral. Na representação, o deputado sustenta que a publicação ultrapassa a crítica política legítima e se enquadra como propaganda negativa antecipada.

O vídeo compartilhado pelo senador utiliza um recorte de um discurso público de Lula sobre o atraso histórico do Brasil na criação de universidades. Na íntegra, o presidente criticava a lógica das elites que, ao longo do século 20, restringiam o acesso ao ensino superior às camadas mais ricas da sociedade. O trecho divulgado, porém, suprime esse contexto e inverte o significado da fala, segundo o parlamentar petista.

“A primeira universidade feita neste país foi em 1920. O Brasil foi descoberto em 1500. A República Dominicana foi descoberta em 1498, pelo Colombo – 32 anos depois de o Colombo chegar lá, a República Dominicana já tinha universidade. E aqui demorou 420 anos para fazer a 1⁠ª universidade. Por que será que acontecia isso? É porque pobre não precisa estudar. Vocês nasceram só pra trabalhar. Estudar é para filho de rico, que pode fazer estudo na França, na Inglaterra, nos EUA, na Espanha. Mas aqui não. Aqui nós temos que ser cortador de cana, fazedor de prédio. As pessoas adoravam dizer: ‘Ah, como é bom nordestino, ele sabe trabalhar na construção civil’. A gente não quer ser só pedreiro, estudante de pedreiro. Se bem que é uma profissão muito valiosa, mas a gente também quer ser engenheiro, a gente quer ser doutor, a gente quer ser médico, a gente quer ser professor. E o que precisa fazer? O que precisa fazer é dar oportunidade”, disse Lula no discurso.

Em publicação nas redes sociais, Lindbergh afirmou que a edição deliberada do material audiovisual é uma técnica típica de fake news e pode causar danos ao debate público, sobretudo no ambiente digital. Para ele, a prática exige resposta institucional antes da intensificação da disputa eleitoral de 2026.

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Além do acionamento da AGU, o líder do PT solicitou ao Tribunal Superior Eleitoral que acompanhe a disseminação de conteúdos semelhantes como medida preventiva. O deputado também pediu ao Supremo Tribunal Federal que avalie se o episódio pode ser analisado no âmbito do inquérito que apura a propagação de fake news.

A representação ainda será analisada pela AGU, que deverá avaliar se há elementos para adoção de medidas jurídicas ou administrativas.