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Direto de Brasília: PSDB já fala de abandonar governo Temer após “surpresa” na votação

Para Cássio Cunha Lima, dividir a votação em duas partes foi manobra para salvar Eduardo Cunha; Aécio Neves diz que "PMDB precisa dizer com clareza até onde vai seu compromisso"

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O InfoMoney está em Brasília fazendo a cobertura especial do impeachment. Confira abaixo as novidades que chegaram direto da capital do País:

15h15
PSDB abandonando o barco?
A decisão de dividir a votação em duas partes – uma para definir a cassação de Dilma Rousseff e a outra para decidir a perda dos direitos políticos por 8 anos -, que resultou na manutenção dos direitos políticos de Dilma, gerou um enorme desconforto nos caciques do PSDB. Muitos deles atribuíram a manobra para “salvar” Eduardo Cunha (PMDB) e por isso já falam de abandonar o barco do agora efetivo governo de Michel Temer.

“Temer encaminhou o acordo para salvar Dilma da inabilitação. Parece que foi um acerto para salvar Eduardo Cunha” disse o senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), afirmando que seu partido não foi procurado para este acordo. Mais contido, o senador Ronaldo Caiado (DEM-GO) apenas preferiu dizer que ficou bastante incomodado com a decisão anunciada nesta quarta-feira. O senador Antonio Anastasia (PSDB-MG) disse que o partido vai se reunir para discutir o assunto. Por fim, Aécio Neves afirmou que “como presidente do partido deixa o alerta: o PMDB precisa dizer com clareza até onde vai seu compromisso”, dizendo ainda que Temer precisa assumir a liderança de todo processo.

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Antes mesmo do dia final da votação do impeachment nesta quarta-feira (31) muitos já davam como certa a derrota da agora ex-presidente Dilma Rousseff. Porém, iniciada a sessão, o PT pediu pela separação em duas votações e o presidente do STF, Ricardo Lewandowski, acatou. Primeiro seria votada a cassação e depois a perda dos direitos políticos de Dilma por oito anos.

Proclamado o resultado da primeira votação, 61 votos a 20, a primeira ideia é que o novo governo de Temer tinha conseguido uma grande vitória, mostrando ter conseguido muitos aliados, o que poderia ajudar daqui para frente no Congresso. Mas ninguém esperava que o resultado da segunda votação poderia mudar toda esta percepção.

Com um placar de 42 a favor e 36 contra (e três abstenções), Dilma acabou com seus direitos políticos mantidos. E isto pode significar um grande racha na base do novo governo, já que foram 16 senadores que votaram a favor da cassação que “mudaram de lado” e decidiram votar não pela perda dos direitos políticos.

Outros destaques do dia:

Exclusivo: Vanessa Grazziotion (PCdoB-AM)
A senadora reclamou da agilidade da votação, sem discursos. “É típico de governo golpista”, disse Vanessa a jornalistas nesta manhã.

Vanessa Grazziotin

Segundo ela, ainda não foi acertado, mas crê que serão pedidas duas votações no julgamento do impeachment: uma para que a presidente perca o direito ao mandato presidencial e a segunda, para a inabilitação para a função pública, que acarreta entre outras coisas a perda de direitos políticos. “Isso era uma decisão da defesa”, disse. 

Ela comentou ainda que, ontem, que era um dia muito importante, mas o sentimento é que houve uma queda do seu lado. “Eu fico muito entristecida. José Eduardo Cardozo foi muito firme ao defender o mandato da Dilma. Defendemos a vontade popular, que não seja feita essa quebra institucional que está acontecendo, que é perigoso para este momento, mas principalmente para o futuro”, disse. Para ela, o País vive uma “encruzilhada”.

A senadora disse também que, ontem, quando comentou sobre a grande chance de reverter esse quadro, essa possibilidade existia, mas, “assim como nós estávamos trabalhando, o outro lado também estava”. Infelizmente, disse, houve várias declarações no sentido contrário do que imaginavam. 

Segundo ela, a expectativa não expectativa não é muito positiva hoje para o grupo contrário ao impeachment. “Ontem, esperávamos declarações importantes que poderiam ser a favor a nossa opinião de que isso é um golpe. Infelizmente, todos eles declinaram seu voto, nesse processo que confesso, é lamentável que ocorra no Brasil”. Ela disse ainda que “não tem expectativa positiva para hoje, mas achamos que conseguimos vencer na narrativa”, porque eles estão do lado da verdade, da razão. “Eles estão julgando uma presidente como criminosa sem que ela tenha cometido um crime. Eles estão julgando politicamente”, disse.

07h50
Entrevista com Paulo Teixeira
O InfoMoney conversou com exclusividade com o vice-presidente do PT, o deputado Paulo Teixeira no fim da tarde de terça-feira (30). Confira os principais destaques da entrevista:

Paulo Teixeira

“Caso seja efetivado o impeachment, não reconhecemos o governo Michel Temer como legítimo. Ele é fruto de um golpe parlamentar, de uma grande conspiração”.

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“A única saída para o Brasil é a realização de uma eleição direta”.

“Vamos fazer uma oposição muito forte, porque ele é ilegítimo, com uma agenda que não passou pelas urnas, uma agenda que quer ofender direitos”.

“[Temer] não se elegeria nem deputado federal mais na vida. Ele está entrando em uma substituição que fere de morte a democracia brasileira. Os votos foram dados a Dilma Rousseff e seus compromissos. Ele não teve os votos e sua agenda não são os compromissos que ela assumiu”.

Sobre uma possível divisão da oposição após o impeachment, Teixeira disse que “vamos ter uma oposição muito forte, com PT, PCdoB e PDT. Está indo muito bem o diálogo”.

Sobre o discurso de Dilma: “muito bom. Dilma foi brilhante. Foi motivo de muito orgulho. [O discurso] satisfez todo nosso sistema”. “Ontem atuou para ganhar votos. Ontem, ela ganhou o debate. As pessoas que, ainda que não ela tenha vencido, não votaram nela, a história vai condenar”.

O deputado também acredita que PSDB e DEM estão pagando, e pagarão, o ônus maior do impeachment. “O dia seguinte, se isso se confirmar, espero que não, será uma guerra fraticida no governo. Eles já estão guerreando. Serra já está criticando […] Todo o sistema só o PSDB já está mandando bala no ministro da Fazenda”.