Direita critica tarifaço e defende união com Lula para reagir a Trump, mostra Quaest

Mesmo entre bolsonaristas, maioria rejeita sobretaxa dos EUA e defende que governo e oposição trabalhem em resposta coordenada

Paulo Barros

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A reação do eleitorado de direita ao tarifaço de Donald Trump mostra uma mudança de postura diante da crise comercial entre Brasil e Estados Unidos. Segundo a pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (16), mesmo entre bolsonaristas, há mais respostas contrárias à medida do presidente americano e apoio à união entre governo e oposição para enfrentar a crise.

Entre os eleitores que se identificam com a direita, mas não se consideram bolsonaristas, 52% avaliam que Trump errou ao impor sobretaxas de até 50% a produtos brasileiros. Entre os bolsonaristas, 48% desaprovam a medida e 42% a apoiam — uma divisão mais equilibrada, mas ainda com predominância da crítica.

Questionados sobre a estratégia mais adequada para lidar com a situação, 74% dos bolsonaristas apoiam uma união entre governo e oposição em defesa dos interesses brasileiros. No total da amostra nacional, esse apoio à união alcança 84%.

(Fonte: Pesquisa Genial Quaest)

A posição do eleitorado ocorre em meio a trocas de acusações entre o presidente Lula e Trump. O presidente dos EUA justificou a tarifa com base em uma suposta perseguição a Jair Bolsonaro (PL) pelo Supremo Tribunal Federal. Em resposta, Lula classificou a medida como “desrespeitosa” e defendeu uma resposta firme. O governo também sancionou a chamada Lei da Reciprocidade, que autoriza medidas equivalentes contra países que adotarem barreiras comerciais ao Brasil.

A rejeição à justificativa de Trump é ampla: 72% dos brasileiros consideram errado atrelar a sobretaxa ao julgamento de Bolsonaro. Apenas 19% veem razão na decisão americana. Entre bolsonaristas, 48% rechaçam esse argumento.

A maioria (79%) também acredita que as tarifas impactarão negativamente sua vida. Além disso, 63% rejeitam a alegação de que os termos da relação comercial entre Brasil e EUA seriam injustos, argumento citado por Trump para justificar a medida.

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A pesquisa ouviu 2.004 pessoas entre os dias 10 e 14 de julho, em 120 municípios. A margem de erro varia entre dois e seis pontos percentuais, a depender do segmento analisado.

Paulo Barros

Jornalista, editor de Hard News no InfoMoney. Escreve principalmente sobre economia e investimentos, além de internacional (correspondente baseado em Lisboa)