Novo apelo

Dirceu faz novo apelo a Moro para evitar prisão: “não aguenta mais situação”, diz defesa

"Com seus 70 anos e rotulado indelevelmente de inimigo público, [Dirceu] não aguenta mais a situação a qual é submetido diariamente”, afirma a petição

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SÃO PAULO – Após entrar com o pedido de dois habeas corpus preventivos e tê-los recusados, o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu fez um novo apelo para não ser preso pela Operação Lava Jato. O ex-ministro justifica que está com idade avançada, aflito, angustiado e “não aguenta mais a situação” em uma petição enviada ao juiz federal Sérgio Moro.

Em novo pedido para não ser preso de forma preventiva no inquérito que investiga o seu envolvimento com o esquema de corrupção na Petrobras por meio da JD Assessoria e Consultoria, a defesa de Dirceu afirmou: “com seus 70 anos e rotulado indelevelmente de inimigo público, [Dirceu] não aguenta mais a situação a qual é submetido diariamente”. 

“A aflição do peticionário – e também de seus defensores – a respeito de uma possível ordem de prisão contra si já é fato público e notório. Não apenas pipocam diariamente na imprensa notícias sobre seu iminente encarceramento, mas, também, todos os dias surgem ‘novos’ depoimentos que, ainda segundo a mídia, complicariam a situação do peticionário”, afirmou, por meio de seu defensor, o advogado Roberto Podval.

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A decisão de protocolar a petição foi feita após o ex-executivo da Toyo Setal, Julio Camargo, revelar em depoimento à Justiça Federal do Paraná na última terça-feira que entregou R$ 4 milhões em dinheiro vivo ao ex-ministro a pedido do ex-diretor da Petrobras Renato Duque. 

A petição também refere-se ao comportamento do ex-ministro durante o julgamento da ação penal 470, conhecida como mensalão: “o peticionário respondeu à ação penal 470 (‘mensalão’) em liberdade, jamais demonstrando intenção de fugir ou de qualquer forma frustrar a aplicação da lei penal. Inclusive, após o trânsito em julgado do caso e com a expedição de mandado de prisão pelo Supremo Tribunal Federal, apresentou-se espontaneamente para ser preso, e vem cumprindo rigorosamente sua pena.”

Dirceu abriu uma empresa de consultoria depois de sair do governo Lula e ter o mandado de deputado federal cassado, em 2005, no auge do escândalo do mensalão. A JD Consultoria chegou a faturar R$ 39 milhões entre 2006 e 2013. Milton Pascowitch, lobista que ajudou a aproximar a empreiteira Engevix do PT, disse que alguns pagamentos feitos à consultoria de Dirceu eram propina.