Dilma volta a ser favorita: Bolsa concretizará profecia dos 45 mil pontos?

Pesquisas recentes mostram maior chance reeleição; pouco mais de um mês atrás, levantamento com 116 gestores apontava que uma vitória de Dilma jogaria o Ibovespa até os 44.700 pontos

Publicidade

SÃO PAULO – As pesquisas eleitorais desta semana trouxeram a tona o cenário que o mercado já precificava desde o começo do mês: Marina Silva (PSB) começou a perder forças e as chances de reeleição de Dilma Rousseff aumentaram significativamente. E se as apostas dos grandes investidores do mercado brasileiro estiverem certas, a confirmação desse cenário poderá trazer ainda mais perdas na Bovespa até o final do ano.

Pouco mais de um mês atrás, em 22 de agosto – época em que Marina começou a despontar como principal adversária de Dilma e o Ibovespa estava na faixa dos 58 mil pontos -, a XP Investimentos divulgou uma pesquisa realizada com 116 gestores mostrando a projeção deles para o Ibovespa em caso de vitória de cada um dos três principais candidatos à Presidência. O resultado foi: se Marina vencer, o índice da bolsa ficaria nos 59.400 pontos; com Aécio, ele chegaria até os 65.900 pontos; já com vitória de Dilma, o benchmark mergulharia para 44.700 pontos (veja a pesquisa completa clicando aqui).

De 3 de setembro para cá, o Ibovespa caiu quase 5.500 pontos, indo de 62 mil para os atuais 56.541 pontos (fechamento de 23 de setembro, terça-feira). Dos 15 pregões que tivemos nesse período, o índice fechou no negativo em 12. Se o “alvo” dos gestores estiver certo, o Ibovespa tem espaço para cair mais 20%.

Ferramenta do InfoMoney

Baixe agora (e de graça)!

Novas pesquisas, novo cenário
As três pesquisas divulgadas ontem, com maiores ou menores diferenças, mostraram uma recuperação de Dilma, queda de Marina Silva e um quadro “dúbio” para o Aécio Neves (PSDB). Mas am
bas mostraram que a candidata à reeleição aumentou as suas chances de ser eleita.

A primeira pesquisa divulgada ontem, CNT/MDA, mostrou que Dilma subiu de 30,9% para 31,4% na pesquisa espontânea, enquanto Marina caiu de 25,8% para 23% no primeiro turno. Aécio Neves mostrou um forte crescimento de 4,3 pontos percentuais, chegando a 14,4% das intenções de voto. Nas simulações de segundo turno, o empate técnico persiste mas com Dilma na frente de Marina: 42% a 41%. Na pesquisa anterior, a ambientalista tinha 45,5% das intenções de voto, contra 42,7% da petista.

Durante a tarde, foi divulgado o Ibope, confirmando o cenário. Na pesquisa, Dilma subiu de 36% para 38% das intenções de voto no primeiro turno, contra queda de um ponto de Marina (30% para 29%) e estagnação de Aécio em 19%. Em um eventual segundo turno, o empate entre as duas candidatas continua, com Marina e Dilma empatadas com 41% dos votos cada uma. No levantamente anterior, Marina aparecia na frente com 43%, contra 40% da petista.

Por fim, o Vox Populi mostrou uma vantagem mais confortável da candidata petista em um eventual segundo turno com Marina. No primeiro turno, Dilma tem 40% e Marina, 22%; Aécio tem 17%. Em um eventual segundo turno contra Marina, Dilma teria 46% dos votos, contra 39% da pessebista. Ainda nesta semana, está prevista a divulgação do Datafolha.

Com as simulações de segundo turno no Ibope mostrando Marina e Dilma empatadas, a LCA Consultores ressalta que a principal informação fornecida foi a consolidação do cenário segundo o qual o segundo turno será disputado pelas duas candidatas. “Agora, resta saber se a moderada tendência de alta de Dilma Rousseff e o também modesto viés de baixa de Marina Silva terão continuidade nos próximos dez dias”, diz a consultoria em relatório. Ela ressalta ainda a recuperação de Aécio Neves, que conseguiu recuperar parte dos eleitores que migraram para Marina Silva.

Entenda o “rali eleitoral”
Desde 17 de março, dia em que teve seu menor fechamento do ano, o Ibovespa engatou um movimento de alta que já chega a 30%, saltando daqueles 44 mil pontos para os 62 mil pontos – maior patamar desde janeiro de 2013 -, em um movimento chamado de “rali eleitoral“, já que a disparada teve início com a divulgação das pesquisas eleitorais.

As ações de empresas estatais – Petrobras (PETR3, PETR4), Eletrobras (ELET6) – e do setor financeiro – Itaú Unibanco (ITUB4), Bradesco (BBDC4) e Banco do Brasil (BBAS3) – foram as que mais subiram nesse período, com algumas delas chegando a duplicar de valor de mercado de março pra cá. A explicação dada pelos especialistas do mercado era que as pesquisas eleitorais começaram a apontar uma queda na popularidade de Dilma Rousseff – até então amplamente favorita para ser reeleita -, aumentando as chances de que um candidato adversário assumisse a presidência na disputa eleitoral.

Uma eventual mudança de governo acabou sendo bem recebida devido ao descontentamento dos investidores da Bovespa com a maneira intervencionista que a atual gestão tem tocado importantes segmentos da economia brasileira. Uma das intervenções mais “sentidas” pelos investidores foi no setor elétrico, onde a implementação de uma medida provisória em 2012 obrigou as empresas a reduzirem suas tarifas.

A Petrobras também tem deixado os investidores atordoados: a empresa não pode reajustar o combustível no mercado doméstico de maneira que ele fique alinhado aos preços internacionais, já que o impacto inflacionário que isso traria colocaria em risco a meta do governo de manter a alta dos preços abaixo de 6,5% no ano. Isso tem provocado sequenciais prejuízos operacionais na área de distribuição da estatal. Somado a isso, os recentes escândalos envolvendo a compra da refinaria de Pasadena, no Texas, tem tido um impacto negativo em termos de imagem da companhia – e consequentemente do governo, seu acionista majoritário.

Thiago Salomão

Idealizador e apresentador do canal Stock Pickers