Segundo a Folha

Dilma vê afastamento como inevitável; ordem é não fazer transição e deixar Temer “à míngua”

De acordo com um assessor ouvido pela Folha de S. Paulo, Dilma não quer deixar para Temer ações e medidas elaboradas durante seu governo

SÃO PAULO – A presidente Dilma Rousseff já vê que seu afastamento temporário do cargo, através da decisão do Senado por maioria simples, tornou-se inevitável. Desta forma, ela decidiu traçar uma agenda para “defender seu mandato” e impedir que o vice-presidente Michel Temer se aproprie de medidas de seu governo. As informações são da Folha de S. PauloA estratégia, chancelada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tem como objetivo de manter a mobilização da base social do PT e manter o discurso de que Dilma é “vítima de um golpe”. 

Segundo o jornal, Dilma pediu à sua equipe para “apressar” tudo que estiver “pronto ou perto de ficar pronto” para ser anunciado antes de o Senado  aprovar a admissibilidade do processo contra ela. De acordo com um assessor ouvido pelo jornal, Dilma não quer deixar para Temer ações e medidas elaboradas durante seu governo. Ela determinou ainda resolver tudo o que for possível nos próximos dias para evitar críticas da equipe de Temer de que assumiu um governo “desorganizado”.  Dilma acredita que pode ser inocentada ao fim do julgamento pelo Senado, podendo, assim, retomar seu mandato; parlamentares do PT e Lula acham que, após afastamento temporário, quadro vai ficar muito difícil e, mesmo que Dilma ganhe no julgamento, ficará sem condições de governabilidade.

A ordem, segundo um auxiliar ouvido pelo jornal, “é limpar as gavetas” e promover um ritual de saída do governo. Auxiliares defendem ainda que a presidente precisa sair do “imobilismo” e mostre que ainda tem apoio social. 

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De acordo com o jornal O Estado de S. Paulo, em reunião de hoje entre o ministro da Secretaria de Governo Ricardo Berzoini e deputados do PT, foi traçada estratégia de reação a eventual gestão de Michel Temer. Foi decidido que não farão qualquer tipo de transição de governo e a ordem do Palácio do Planalto é deixar o vice-presidente “à míngua”, sem informações sobre a gestão.

Ao jornal, deputados disseram, contudo, que o PT desistiu de encampar agora a proposta de antecipação das eleições presidenciais – avaliam que não pode partir da legenda a ideia de que é preciso encurtar o mandato de Dilma.


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