Pró-mercado ou não?

Dilma “troca” Davos por Bolívia e FT pergunta: affair dela com o mercado acabou?

Depois de proclamar o fim quase iminente da lua de mel de Dilma Rousseff, o blog do Financial Times afirmou que parece que o romance entre os investidores e a presidente do Brasil está chegando ao fim

SÃO PAULO – Depois de proclamar o fim quase iminente da lua de mel de Dilma Rousseff com o mercado, o blog do Financial Times Beyond Brics destacou: apenas algumas semanas de medidas favoráveis ao mercado, parece que o romance entre os investidores e a presidente do Brasil está chegando ao fim.

Conforme aponta o jornal, havia uma grande expectativa para que Dilma participasse do Fórum Econômico Social, em Davos (Suíça) na próxima semana. Mas, na última terça-feira, o palácio presidencial disse que ela trocou o encontro com líderes empresariais e políticos pela cerimônia de posse do presidente da Bolívia, Evo Morales. 

“É um embaraço!”, exclamou um brasileiro no Twitter. “Esta é a razão por que as pessoas no exterior acham que o Brasil é uma piada”, escreveu outro, segundo destacou o Beyond Brics.

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O blog do FT ressalta que, desde a vitória em uma reeleição estreita em outubro, Rousseff tem feito uma ofensiva para conquistar investidores e reanimar a economia, que deve ter crescido apenas 0,15% no ano passado. Ele nomeou o ex-banqueiro Joaquim Levy como ministro da Fazenda, anunciando uma série de corte de gastos e até prometeu “vender uma parte” (ou fazer um IPO) com a Caixa Econômica Federal. 

“Muitos se perguntam se Dilma, ex-guerrilheira de esquerda, ‘mudou o seu coração’. Ou, talvez, as medidas eram apenas um golpe publicitário para apaziguar as agências de classificação de risco – uma tentativa superficial para afastar um potencial rebaixamento do rating de crédito soberano do Brasil”, afirmou. Segundo o anúncio da terça-feira, parece ser a segunda opção.

O anúncio de terça-feira também, vem depois de outro incidente preocupante deste mês, afirma o blog do jornal britânico, ao lembrar de quando Dilma forçou o ministro do Planejamento Nelson Barbosa a voltar atrás de uma proposta de mudanças nas regras do salário mínimo no Brasil, “lançando dúvidas sobre as reais intenções de Dilma”. 

E destacou ainda que, no ano passado, Dilma resolveu ir pela primeira vez para Davos justamente para melhorar a posição do governo com os investidores. “Isto não seria ainda mais importante este ano?”, questionou o jornal. O ministro da Fazenda provavelmente vai em seu lugar, devendo passar uma mensagem de que o Brasil está com uma nova política econômica.

Em alguns aspectos, Levy pode fazer um trabalho ainda melhor ao cortejar os investidores sozinho. Longe do olhar atento do resto do PT, ele será capaz de falar com os investidores em sua ‘própria língua’ e, talvez, dar uma avaliação mais honesta sobre a raiz dos problemas econômicos do Brasil. No entanto, vale lembrar que, por mais persuasiva a sua mensagem pode ser em Davos, de volta ao Brasil – ou melhor, na Bolívia – Dilma ainda é a chefe”, diz o jornal.