Novo mal entendido

Dilma tem desejo de acertar, mas não de maneira efetiva, diz Levy; ministro esclarece

Ministro da Fazenda falou sobre o assunto em evento fechado para a imprensa; em nota, Levy lamentou interpretação da frase e disse que ela foi tirada do contexto

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SÃO PAULO –  O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, disse na terça-feira, durante evento fechado para a imprensa, que a presidente Dilma Rousseff tem desejo genuíno de acertar, mas nem sempre faz as coisas da maneira mais eficaz, segundo o jornal Folha de S. Paulo. 

O jornal teve acesso a uma gravação do evento realizado em São Paulo, no qual o ministro falou em inglês, idioma de alguns dos espectadores.

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“Acho que há um desejo genuíno da presidente de acertar as coisas, às vezes, não da maneira mais fácil, mas… Não da maneira mais efetiva, mas há um desejo genuíno”, disse o ministro, segundo tradução da declaração feita em inglês. O áudio original da fala de Levy foi disponibilizado no site do jornal na tarde de sábado.

   

 O ministro teria feito o comentário respondendo a pergunta da plateia sobre as mudanças econômicas em curso e a equipe da Fazenda.

   

Na noite de sábado, Levy disse, por meio de nota, que lamenta a interpretação dada à sua frase durante uma conversa informal com membros do setor financeiro em que procurou transmitir os pontos principais do ajuste econômico, diante da evolução da economia global e da exigência de crescimento no Brasil.

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A nota pessoal de Levy enviada à imprensa diz que “o ministro sublinha os elementos dessa fala que são os seguintes: aqueles que têm a honra de encontrarem-se ministros sabem que a orientação da política do governo é genuína, reconhecem que o cumprimento de seus deveres exige ações difíceis, inclusive da Exma Sra. Presidente, Dilma Rousseff, e eles têm a humildade de reconhecer que nem todas as medidas tomadas têm a efetividade esperada”.

E, de acordo com informações do jornal O Estado de S. Paulo, políticos de vários partidos já admitiam que Levy pode ser convidado a a se explicar melhor na audiência em que comparecerá, na terça-feira, na CAE (Comissão de Asssuntos Econômicos) do Senado sobre as declarações feitas durante o evento.

Além disso, a avaliação de líderes do governo e da oposição é de que a declaração pode ter efeito sobre as negociações em relação ao ajuste fiscal, uma vez que Dilma enfrenta dificuldades na aprovação de medidas para conter os gastos e aumentar impostos e assim aumentar a economia do governo. 

(Com Reuters)