Janet Yellen

Dilma subiu nas pesquisas, mas quem roubou a cena no mercado foi outra mulher

Com Relatório de Emprego melhor que o esperado e fala de Janet Yellen, EUA ficam no centro do radar e ajudam bolsas a subirem nesta quinta-feira

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SÃO PAULO – Diferente de como era esperado, o efeito do Datafolha não seguiu o que se foi visto nas últimas pesquisas eleitorais – Bolsa subindo com queda de Dilma e vice-versa – e o Ibovespa fechou com alta de 1,6%. E uma das razões para isso acontecer tem nome: Janet Yellen. A presidente do Federal Reserve fez algumas declarações antes da divulgação de dados do emprego nos EUA e acabou afetando fortemente o impacto dos indicadores nos mercados.

Ontem, Yellen destacou a importância dos dados de emprego sobre as decisões da autoridade monetária em relação à retirada de estímulos e elevação dos juros. Segundo ela, o Fed deve se importar mais com esses dados do que com a estabilidade econômica do país. Esse fato por si só teria um efeito animador após o Relatório de Emprego surpreender positivamente o mercado.

Porém, a chair do Fed sinalizou ao mercado que deve manter a política monetária mais frouxa, mantendo a taxa de juros baixa por um tempo maior do que o mercado esperava – alguns analistas apontavam para elevação dos juros ainda este ano. Tudo isso mudou a percepção do mercado, que se manteve otimista com os dados, mas ainda não vê um momento positivo para mudar de investimento, impactando diretamente o mercado cambial, por exemplo.

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Enquanto isso, no Brasil, o efeito do Datafolha se mostrou bem mais fraco do que se esperava. Segundo o analista da Geral Investimentos, Carlos Müller, um dos fatores para isso foi o fato da pesquisa em si não surpreender, já que o mercado já esperava que a candidatura de Dilma se sustentasse, uma vez que a Copa do Mundo está sendo bem sucedida. 

Além disso, ele destaca que mesmo com a presidente saindo fortalecida após o mundial, ainda há dúvidas sobre se os efeitos permanecerão até o início de outubro, quando ocorrerão as eleições. Por outro lado, a vantagem de Dilma contra Aécio Neves voltou a cair: 7% em julho (46% a 39%), contra 8% em junho e 11% em maio, sendo esta uma boa notícia para o candidato tucano.

O que normalmente se vê é um movimento de alta da Bolsa quando Dilma cai nas pesquisas, indicação do mercado que não aprova a política intervencionista da presidente. Mas a combinação da fala de Yellen com esse efeito “reduzido” do Datafolha acabou deixando os EUA em destaque, ajudando na alta do Ibovespa.

Câmbio chega a subir 1%, mas fecha em queda
No mercado cambial a fala de Yellen teve a ajuda do presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, que acabou revertendo uma forte alta que o dólar registrava pela manhã. Após avançar 0,8% ontem, a moeda norte-americana ameaçou disparar 1% nesta quinta-feira com o mercado apostando em uma alta dos juros nos EUA após o forte relatório de emprego.

Porém, com as sinalizações de Yellen indicando uma manutenção dos juros nos atuais níveis, os investidores “voltaram atrás” e o fluxo para os mercados emergentes aumentou rapidamente. Com o Brasil sendo um dos principais focos, a disparada do dólar acabou virando para uma queda de 0,57% ao final do dia, com a divisa cotada a R$ 2,2109 na compra e R$ 2,2116 na venda.

Enquanto isso, Draghi fez algumas sinalizações que favoreceram esse cenário de alta demanda no mercado cambial. Se por um lado a Yellen está retirando dólares, o BCE pode ampliar a oferta de dinheiro na Europa e compensar a circulação mundial, sustentando o fluxo em ativos de risco neste ano, mesmo que o Fed encerre seu programa de estímulos.

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“Se há algum banco central que pode assumir o papel do Fed em termos de impacto na liquidez global, é o BCE”, diz um relatório de 30 de junho de Marios Maratheftis – diretor de pesquisa macro na Standard Chartered Plc em Dubai – e dos colegas David Mann e Italo Lombardi. Eles calculam que a importância relativa do Fed no impulso à liquidez internacional tem caído desde abril de 2013.

Durante o ano passado, o banco desacelerou a compra de bônus que iniciou em dezembro de 2008, quando o pânico financeiro atingiu o planeta. As exigências mais recentes das reguladoras para que os bancos incrementem as reservas podem significar também que uma oferta maior de dinheiro nos EUA amplia menos a liquidez em outros lugares.

Para cada injeção de US$ 10 bilhões na oferta de dinheiro dos EUA, há agora um incremento global de US$ 20,5 bilhões, abaixo dos US$ 24,4 bilhões de um ano atrás, segundo os economistas da Standard Chartered. Entretanto, para cada aumento de US$ 10 bilhões na oferta de dinheiro da zona do euro, há um incremento global de US$ 19,7 bilhões, acima dos US$ 18 bilhões anteriores.