Enverga, mas não quebra

Dilma sobreviverá a impeachment, mas paralisia aumentará ainda mais, diz Eurasia

De acordo com a consultoria de risco político, a fragilidade na relação entre Dilma Rousseff e o PT aumenta, mas não deve sinalizar uma ruptura

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SÃO PAULO – Em meio ao turbilhão de acontecimentos da última semana, a consultoria de risco político Eurasia afirmou que a fragilidade na relação entre Dilma Rousseff e o PT aumenta, mas não deve sinalizar uma ruptura. 

“A presidente vai sobreviver ao impeachment, mas o agravamento da fragilidade ampliará a paralisia do governo, nomeadamente em matéria de política fiscal”, afirmam os analistas políticos da consultoria. Segundo a Eurasia, as diferenças entre a presidente Dilma Rousseff e o PT vão aumentar ao longo de 2016.

“Os desentendimentos sobre a direção da elaboração de políticas e as investigações da Lava Jato continuarão a gerar atrito entre a presidente e o seu partido, mas o distanciamento cada vez maior não vai levar a um rompimento formal entre os dois. Na atual conjuntura, isso traria mais riscos do que benefícios para ambos. Em última análise, este equilíbrio frágil ainda deve ser suficiente para ajudar a presidente a sobreviver ao movimento de impeachment no Congresso, mas é um mau presságio para a formulação de políticas, particularmente a reforma fiscal, para o restante deste ano”.

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Os analistas destacam que a estratégia de sobrevivência política de Lula e o PT vão em desacordo com o que pretende Dilma. Enquanto os instintos do PT são claramente para responder à crise atual movendo-se para a esquerda, de forma a reconquistar a base social do partido, a presidente quer uma correção na formulação das políticas, um processo que começou com a entrada de Joaquim Levy na Fazenda e que continuou com a substituição dele por Nelson Barbosa.

As investigações da Lava Jato também afastam a presidente e o PT, uma vez que elas chegam cada vez mais perto de grandes nomes do partido – particularmente Lula. As pressões do PT para que a presidente controle ou contenha as investigações crescem, o que fica evidente com as mudanças no ministério da Justiça, afirma a Eurasia.  Contudo, enquanto a presidente reitera defesa do ex-presidente, também ressalta a natureza independente das investigações. “Duvidamos que esta postura mudará com as alterações nos quadros no ministério da Justiça”, ressaltam os analistas.

Para eles, a separação entre Dilma e o PT se ampliará uma vez que as investigações continuam em curso, assombrando o PT, enquanto o novo nome da Justiça pode trazer algum alívio temporário, mas não deve mudar muito o cenário. Em segundo lugar, o cenário de deterioração econômica deve continuar e pressionar a presidente a buscar medidas de ajuste. “O debate em torno da reforma da Previdência e apoio para votar as mudanças no pré-sal no Senado servem como prova de que, apesar da comunicação confusa, o governo está ciente de que os ajustes são necessários”. 

Neste cenário, Dilma e o PT devem evitar um rompimento formal. Para a presidente, o incentivo principal é a sobrevivência política e ela precisa do apoio do partido a fim de vencer o processo de impeachment na Câmara dos Deputados. “Mesmo se a presidente fosse tentar compensar a perda de apoio da esquerda buscando se aproximar do centro e da direita, esta seria uma manobra muito arriscada e provavelmente ineficaz para melhorar sua situação política no curto prazo”.

Já no caso do PT, o dilema seria mais complicado. Enquanto o cronograma de ajuste fiscal do governo trará impacto negativo ao partido, que se prepara para as eleições municipais de 2016, abandonar Dilma neste momento envolve maiores riscos. Afinal, não só seria difícil dissociar a sua imagem da administração da presidente, como o partido perderia influência política. Com a Lava Jato no radar, seria mais prudente aos líderes do partido continuar na administração do que abandonar voluntariamente o poder, ressalta a consultoria. Por fim, o partido entende que lutar contra o impeachment serve como base para a retórica de que a legenda está sob o ataque de forças conservadoras.

“Como relação ambivalente do PMDB com o governo tem mostrado, existem fortes incentivos para permanecer na coalizão governista apesar das diferenças ideológicas e até mesmo se a presidente é fraca”.

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