Política

Dilma se beneficiou eleitoralmente das “pedaladas fiscais”, diz procurador

"Até agosto, o governo não se comportou de maneira coerente com a realidade. Viveu uma fantasia. Após a eleição, veio a realidade", disse Julio Marcelo de Oliveira

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SÃO PAULO – O procurador do Ministério Público no TCU (Tribunal de Contas da União), Julio Marcelo de Oliveira, afirmou nesta terça-feira (1) que a presidente Dilma Rousseff se beneficiou eleitoralmente das irregularidades nos gastos públicos identificadas pelo órgão no ano passado. Junto com outros técnicos, ele está no tribunal do CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) do Senado para justificar a decisão de pedir explicações ao governo sobre esses atos, não aprovando assim as contas de gestão da presidente Dilma em 2014.

“O governo deixou livre para execução despesas não obrigatórias, que teria que cortar [devido à queda na arrecadação]. O que ocorre em 2014 é que o governo federal aumenta programas não obrigatórios que têm forte impacto eleitoral”, disse o procurador.

Segundo ele, os gastos do Fies, programa de financiamento estudantil, aumentou de R$ 5 bilhões para R$ 12 bilhões, algo que só foi possível por conta das irregularidades apontadas, que ficaram conhecidas como “pedaladas fiscais”.

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Oliveira lembrou que a Lei de Responsabilidade Fiscal foi criada exatamente para acabar com a “farra” de gastos públicos dos políticos em anos eleitorais, levando a prejuízos para toda a sociedade. Segundo ele, o governo já sabia desde o início do ano que não teria recursos para seus programas e só após o período eleitoral é que fez cortes de despesas. “Até agosto, o governo não se comportou de maneira coerente com a realidade. Viveu uma fantasia. Após a eleição, veio a realidade”, disse Oliveira.