A equipe de Dilma II

Dilma repete Lula ao escolher Joaquim Levy e mostra vitória do PT pragmático, diz Nomura

"Acreditamos que esta é uma equipe muito forte na economia, superando de longe as expectativas mais otimistas depois de uma eleição muito disputada", destaca o o chefe para Américas da Nomura, Tony Volpon

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SÃO PAULO – Esperando a confirmação da equipe econômica para o segundo mandato da presidente Dilma Rousseff a ser feita nesta quinta-feira, a corretora Nomura destacou o que espera para o novo “triunvirato” na economia.

“Joaquim Levy deve ser confirmado como ministro da Fazenda, Nelson Barbosa como ministro do Planejamento e Alexandre Tombini continua como presidente do Banco Central do Brasil”. 

“Acreditamos que esta é uma equipe muito forte na economia, superando de longe as expectativas mais otimistas depois de uma eleição muito disputada, onde a presidente Dilma Rousseff defendeu as políticas econômicas seguidas por ela durante seus primeiros quatro anos de mandato. A nomeação de Levy, em particular, dá os sinais de que, no debate sobre como interpretar as consequências políticas da eleição, a ala ‘pragmática’ do PT ganhou o argumento. Sem um forte ajuste para levar o Brasil para um caminho de crescimento mais elevado, as chances eleitorais do PT em 2018 seriam sombrias”, afirmou.

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Conforme ressalta o chefe para Américas da Nomura, Tony Volpon, elementos de esquerda dentro do partido estão, como seria de esperar, descontentes com a escolha de Levy. Porém, com o apoio da presidente e de Lula, o cenário será parecido ao de quando o ex-presidente montou uma equipe econômica ortodoxa em seu primeiro mandato, afirma.

Volpon destaca que o  próximo marco importante será a sinalização do novo ministro da Fazenda para as metas fiscais de curto prazo, uma vez que ele fala como um ministro eleito da Fazenda.

“Nós acreditamos que ele vai sinalizar sua vontade de ir além do ajuste muito gradual já sinalizado pelo governo. Nós também acreditamos que ele vai começar as discussões sobre metas fiscais de médio prazo e pôr em prática uma política orçamental que suporta a sustentabilidade da dívida e uma queda gradual das taxas de juros reais. Aqui esperamos que o ministro do Planejamento Nelson Barbosa tenha um papel importante tanto em formulação quanto em implementação”, afirma. 

“Esperamos também que o Banco Central sob a contínua liderança de Alexandre Tombini possa trazer a inflação para o centro da meta de 4,5% em 2016, uma vez que ajustes relevantes nos preços relativos tenha ocorrido. Acreditamos que parte do movimento em direção a políticas econômicas mais pragmáticas inclui uma maior autonomia operacional do Banco Central para prosseguir nessa direção política”, afirma.

Porém, por causa dos grandes desafios econômicos atuais, Volpon avalia que ainda vai demorar para haver melhorias materiais, ao mesmo tempo que a  nova equipe econômica terá de enfrentar a contínua pressão de várias forças políticas. “No entanto, pelo menos inicialmente, esperamos uma orientação política muito construtiva, e acreditamos fortemente que a alta atual dos preços de ativos brasileiros deve continuar”, afirma.