Dilma ou Serra? Presidente do Itaú não vê diferença entre os candidatos

"Nenhum deles tira o sono do mercado financeiro. Se tirasse, haveria alguma reflexão sobre isso", disse

SÃO PAULO – Em um seminário promovido pelo Lide (Grupo de Líderes Empresariais), o presidente do Itaú Unibanco, Roberto Setubal, se deparou com uma pergunta desconcertante. Em uma alusão aos dois nomes mais cotados para concorrer à presidência da República nas próximas eleições, um dos empresários presentes ao evento questionou: “Dilma ou Serra?”.

Ao responder, o executivo tentou ser imparcial. “Nenhum deles tira o sono do mercado financeiro. Se tirasse, haveria alguma reflexão sobre isso. Não há. Muitas questões já foram institucionalizadas, por isso não vejo diferenças grandes entre um e outro. Com nenhum deles há risco de regressão. Certamente, a disputa por eleitores não se dará em torno de questões de âmbito econômico”.

Setubal confessou que, quando soube que o Brasil adotaria o sistema de câmbio flutuante e de meta de inflação, pensou: “Pelo amor de Deus, isso não vai dar certo!”. Mas deu, graças à “boa execução”, nas suas palavras.

A atuação do BC no governo PT

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No evento, o presidente da maior instituição financeira da América Latina elogiou o trabalho do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles.

“Meirelles está há quase oito anos no comando do BC. Talvez ele seja o profissional há mais tempo nesse cargo. Lembram-se de antigamente, quando havia um novo presidente do BC a cada seis meses?”, indagou.

“E Meirelles entregou a meta [de inflação] todos os anos, em um governo PT! Ou seja, ele conseguiu lidar com a pressão que obviamente existe em torno dele. Não se submeteu às pressões e fez o que tinha de fazer. Acho isso realmente extraordinário!”.