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Dilma não descarta candidatura, Odebrecht bancou “coaching” para filho de Lula; veja mais notícias da política

Confira os destaques do noticiário político deste final de semana

SÃO PAULO – O noticiário político esteve movimentado neste último final de semana, com destaque para a entrevista da ex-presidente Dilma Rousseff para a AFP, a mudança de Michel Temer para a Alvorada, novas revelações da delação da Odebrecht, entre outras notícias. Confira os destaques do noticiário do final de semana:

Dilma não descarta candidatura e diz que há em curso um segundo golpe no País

Em entrevista à agência de notícias AFP, a ex-presidente Dilma Rousseff falou pela primeira vez sobre seu futuro político: “não serei candidata a presidente da República, se essa é a pergunta. Agora, atividades políticas não vou deixar de fazer. Não descarto a possibilidade de uma candidatura para cargos como senadora ou deputada”.

Ela ainda afirmou que não guarda nenhum rancor das pessoas que articularam pela sua deposição da presidência, nem mesmo o ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), atualmente preso em Curitiba. “Não tenho nada contra Eduardo Cunha, nenhum sentimento de vingança ou coisa parecida. Não tive nem com os meus torturadores”, afirmou, referindo-se ao período em que esteve presa durante a Ditadura Militar.

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A ex-presidente afirmou ainda que continua analisando os documentos do processo que levou ao seu impeachment, voltando a acusar seu vice Michel Temer de líder de um “golpe parlamentar”.

Ao comentar o resultado das últimas pesquisas que mostram o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na frente, Dilma afirmou que  há um “segundo golpe” em andamento: criminalizar Lula para impedir que ele seja candidato. “Apesar de todo o processo de tentativa de destruição da personalidade, da história e tudo, o Lula continua em primeiro lugar, continua sendo espontaneamente o mais votado”.

Michel Temer de mudança

O presidente Michel Temer já está morando no Palácio da Alvorada. A mudança foi concluída na última semana e este foi o primeiro fim de semana que o presidente, a primeira-dama Marcela e o filho Michel passam na residência oficial da Presidência da República.

Na sexta-feira, o casal e o filho estiveram em São Paulo – onde a família morava antes de Temer assumir a Presidência do país. Em Brasília, eles vinham residindo no Palácio do Jaburu, destinado ao vice-presidente da República.

Desde setembro, quando a ex-presidente Dilma desocupou o Alvorada, havia a expectativa da mudança da família Temer para o palácio, mas ela só se concretizou agora. A mudança foi confirmada pela assessoria de imprensa do Palácio do Planalto.

Depoimentos no TSE

Falando sobre a chapa Dilma-Temer, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral ) marcou para esta segunda-feira (20) o depoimento do proprietários de duas gráficas suspeitas de receber pagamentos irregulares por serviços prestados à chapa, vencedora das eleições presidenciais de 2014. As oitivas fazem parte do processo no qual o PSDB pediu a cassação da chapa.

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De acordo com despacho do juiz auxiliar do relator, ministro Herman Benjamim, serão ouvidos na sede da Justiça Eleitoral de São Paulo os empresários Rodrigo Zanardo e Rogério Zanardo, da Rede Seg Gráfica, e Carlos Cortegoso, ligado à Focal Comunicação Visual.

De acordo com relatório elaborado pela Polícia Federal (PF), há suspeitas de pagamentos irregulares a três gráficas que prestaram serviços à campanha presidencial: VTPB Serviços Gráficos e Mídia, a Focal Confecção e Comunicação Visual e a Rede Seg Gráfica Eireli. A campanha de Dilma Rousseff nega qualquer irregularidade e sustenta que todo o processo de contratação das empresas e de distribuição dos produtos foi documentado e monitorado. No início do mês, a defesa do presidente Michel Temer sustentou no TSE que a campanha eleitoral do PMDB não tem relação com os pagamentos suspeitos. De acordo com os advogados, não se tem conhecimento de qualquer irregularidade no pagamento dos serviços.

Favor a filho de Lula e estratégia do petista

A Folha de S. Paulo do domingo trouxe trecho da delação premiada do ex-diretor de Relações Institucionais da Odebrecht Alexandrino Alencar, que revela um novo favor da construtora a pedido do ex-presidente Lula. Em depoimento, ele afirmou que a empresa pagou um orientador financeiro ao filho mais novo de Lula, Luís Cláudio, antes dele criar a empresa Touchdown Promoções e Eventos Esportivos, responsável por um torneio de futebol americano no País.

Segundo o jornal, foi o ex-presidente quem pediu para que a construtora bancasse o “coaching” para ensinar técnicas de gestão a Luís Cláudio, que promoveu o Torneio Touchdown entre os anos de 2012 e 2015. O campeonato reunia equipes brasileiras de futebol americano.

A empreiteira contratou um profissional de fora de seus quadros e o pagou. O jornal cita ainda que a informação sobre a contratação do treinamento para o filho do ex-presidente foi decisiva para que Alexandrino conseguissefechar seu acordo com a Lava Jato. Procurado, o Instituto Lula disse que não comentaria.

Alexandrino relata o caso como um dos diversos serviços que a Odebrecht prestou ao ex-presidente e, no pacote elencado, também estão detalhes da reforma da sítio de Atibaia frequentado pela família Lula. O ex-diretor de Relações Institucionais era o a principal responsável de dento da Odebrecht por atender demandas ligadas ao ex-presidente.

Além disso, a coluna Painel, da Folha, destaca que, com a intenção de consolidar o nome de Lula para 2018 e fazer frente à série de acusações que o atingem, o PT determinou a seus diretórios estaduais que usem a imagem do ex-presidente nas propagandas de TV durante todo o primeiro semestre. Desta forma, a legenda quer que Lula chegue ao congresso da sigla, em junho, com sua candidatura ao Planalto construída. Em conversas com conselheiros, Lula tem dito que precisa de um discurso que fale mais do futuro e não fique preso às “velhas teses”.

Lula já afirmou que, se o PT “recuperar o exemplo de ética que foi neste país, recupera com muita facilidade a credibilidade que conquistamos”. “É verdade que decrescemos, mas ninguém ocupou o espaço que a gente deixou.”

Marcos Pereira citado pela Odebrecht

O jornal O Estado de S. Paulo informa que acordo de delação da Odebrecht destacou que o ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, Marcos Pereira, negociou um repasse de R$ 7 milhões do caixa 2 da Odebrecht para o PRB na campanha de 2014. Os recursos compraram apoio do partido então presidido por Pereira à campanha de reeleição da chapa Dilma Rousseff-Michel Temer.

Segundo o jornal, o montante dado ao PRB fazia parte de um pacote maior, que envolvia também o apoio de PROS, PCdoB, PP e PDT à chapa governista. Ao todo, a Odebrecht colocou cerca de R$ 30 milhões na operação.

O ministro rebateu as afirmações dos delatores. “Eu desconheço essa operação. Comigo não foi tratado nada disso”, disse. “Delação não é prova.”