Análise da Rio Bravo

“Dilma, Lula e o PT passarão a segundo plano, onde lidarão com contenciosos de cada um”

Em relatório para comentar desempenho do mês de abril, gestora Rio Bravo destacou cenário político nacional, afirmando prevalecer uma "ansiedade gigantesca" sobre o que um provável governo Temer irá trazer

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SÃO PAULO – Em relatório para comentar o desempenho do mês de abril, a gestora Rio Bravo Investimentos destacou o cenário político brasileiro, ressaltando que não parecem haver maiores dúvidas sobre o desfecho do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, que deve culminar com o afastamento dela nesta semana por até 180 dias, até que o Senado conclua o afastamento.

A Rio Bravo destaca que o mês de março assistiu uma movimentação muito positiva dos mercados na expectativa da aprovação do processo de impeachment (Ibovespa em alta de 16,9%), mas em abril o movimento positivo foi bem menos contundente (índice em alta de 7,7%), face às incertezas que passaram a cercar a formação e operação do novo governo, comandado por Michel Temer.

“O fato é que, por mais previsível que o desfecho da crise política pudesse parecer, a sensação é de que tudo se passou muito rápido, ao menos quando se pensa no preparativo que deveria haver da parte do vice-presidente da República, cuja tarefa parece gigantesca, sobretudo quando observada do ângulo estritamente operacional e administrativo. Sem poder articular abertamente, ao menos antes da votação do dia 17 (de abril, quando a Câmara dos Deputados admitiu o processo de impeachment, que seguiu para o Senado), o vice-presidente tinha diante de si o desafio de formar um ministério e de preparar-se para enfrentar uma difícil e penosa transição de governo, pela qual muitas orientações e muitos empregos em cargos em confiança na administração pública seriam descontinuados”, afirmam os gestores. 

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A Rio Bravo também apresenta críticas à presidente Dilma Rousseff, que se retira emitindo sinais ruins em matéria de zelo pela continuidade administrativa ao cogitar abertamente de sabotar a nova administração negando-lhe informações e colaboração. Ao mesmo tempo, o mercado acompanha a formação do ministério, discute nomes e programas e aguarda o momento em que o novo presidente exibirá suas ambições e suas primeiras iniciativas. Enquanto isso, afirma a gestora, “Dilma Rousseff, Lula e o PT passarão a um segundo plano, onde deverão lidar com os contenciosos de cada um”.

Na economia, a Rio Bravo afirma ser legítimo esperar mudanças drásticas uma vez que temas proibidos, como a reforma da previdência e a privatização entraram no radar, e os horizontes de especulação sobre novas reformas e grandes narrativas se expandiu como não se via há tempos.

“Ainda que com uma cautela reverencial, própria de quem sabe que tudo pode acontecer antes do apito final, parece haver uma enorme demanda por otimismo, e portanto, uma onda positiva pronta para ser surfada pela próxima administração”, afirma a Rio Bravo. A gestora ressalta que o panorama inflacionário melhorou, o que pode ajudar o Banco Central a iniciar o ciclo de baixa da taxa básica de juros.

Em paralelo, o panorama fiscal é trágico e um gigantesco desafio se apresenta a propósito da situação dos estados, afirma a gestora. “O drama possui dois desdobramentos sérios e de consequências potencialmente terríveis: de um lado, pela judicialização do ‘pleito’ sobre juros simples e, de outro, pela insegurança gerada pelos atrasos de pagamentos de salários e pensões ocasionando enorme e justificada ansiedade na população”.

Apesar do imenso desafio, a experiência de renegociação de dívidas estaduais nos anos 1990 parece indicar caminhos altamente promissores de solução. “O desafio pode perfeitamente se tornar uma grande oportunidade”, afirma a gestora. 

Segundo a Rio Bravo, “uma imensa janela se abriu, e prevalece uma ansiedade gigantesca sobre o que o novo governo poderá trazer”.

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