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“Dilma já foi ‘saída’ pelas lições que insiste em não querer aprender”, diz Marina

Em artigo para o UOL, ela ainda defendeu as manifestações, avaliando que elas são legítimas e um termômetro da crise política

SÃO PAULO – Em artigo publicado na última quarta-feira (19) no site UOL, a ex-senadora Marina Silva (PSB) destacou que os agentes que “estão se mobilizando para além da velha polarização política” entendem que “não é estratégico nem correto reduzir seus esforços a um simples ‘fora Dilma’. Isso porque eles sentem, de certa maneira, que a presidente “já foi ‘saída'”.

Para Marina, Dilma não é mais reconhecida como líder “pelas forças políticas tradicionais, entre as quais parte de seu próprio partido” e foi “saída, enfim, pelas lições que insiste em não querer aprender”.

Em comentário sobre as manifestações de domingo, que pedem o impeachment da presidente, e também sobre as que apoiam o governo, Marina destacou que houve alterações ainda maiores no tom das vozes e no teor das falas. 

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Podemos concordar com todas as falas, todas as faixas, todas as narrativas? Claro que não, mas a honestidade impõe reconhecer que as ruas mostraram uma monumental e muito relevante insatisfação contra a corrupção e a mentira entranhadas nas instituições e nas relações de poder”, afirma.

Ela ainda defendeu as manifestações, avaliando que elas são legítimas: “elas são o termômetro da crise política, e não se pode culpar o termômetro por indicar a gravidade da febre. A responsabilidade dos que receberam um mandato é enorme e, se traíram a confiança da sociedade, precisam se explicar perante a Justiça e se submeterem às penas, caso o ilícito seja comprovado. Esperemos que este seja um caminho sem volta no Brasil”.

Marina conclui o texto destacando que o desafio dos que se opõem ao governo agora é “deixar cada vez mais claro que estão se movimentando para dar suporte não a forças retrógradas, mas à chegada de um novo tempo, sonhado e inscrito na Constituição resultante de nossa jovem democracia”.

“E, para tanto, é preciso fazer ecoar uma nova cultura política, não de alinhamento automático e subalterno a ‘salvadores da pátria’, sejam eles quem forem. Mas uma cultura política da independência, dos valores universais, da ética, da radicalidade da democracia, na defesa da investigação com autonomia, da punição por respeito à justiça e não por sentimento de vingança, na busca do diálogo legítimo, que não seja apenas uma armadilha para encurralar e dobrar adversários. Um novo tempo dos que, aprendendo com os próprios erros, amadurecem, tornam-se melhores e maiores”, afirmou.