Diz Estadão

Dilma incumbiu Mercadante para demonstrar “profunda insatisfação” com declaração de Levy

Levy disse, na semana passada, em inglês, que "há um desejo genuíno da presidente acertar", mas ela "não o faz da maneira mais eficaz" nem da "maneira mais fácil"

SÃO PAULO – Após a declaração polêmica do ministro da Fazenda Joaquim Levy sobre a presidente Dilma Rousseff, que reverberou no último final de semana, o destaque fica para a repercussão dentro e fora do governo sobre a declaração.

De acordo com informações do jornal O Estado de S. Paulo, a presidente Dilma Rousseff escalou o ministro chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, para manifestar a sua “profunda insatisfação” com as declarações do titular da Fazenda. Ele disse, na semana passada, em inglês, que “há um desejo genuíno da presidente acertar”, mas ela “não o faz da maneira mais eficaz” nem da “maneira mais fácil”. Mercadante, segundo o jornal, telefonou a Levy para comunicar a irritação da presidente.  

O ministro da Fazenda disse, por meio de nota, que não fez críticas à presidente e lamentou que ” a frase tenha sido tirada do contexto”. Porém, em meio à repercussão negativa dos comentários, ele passou o fim de semana costurando milimetricamente um discurso para apresentar na CAR (Comissão de Assuntos Econômicos) do Senado amanhã, segundo informações do jornal O Globo

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Joaquim Levy irá ao Congresso no momento em que se intensificam os questionamentos entre os parlamentares sobre o alcance e a eficácia daquilo que alguns senadores têm chamado de Plano Levy. Tais explicações foram uma exigência de líderes do Senado para adiar a votação do projeto que dá ao governo federal prazo de 30 dias para repactuar as dívidas dos estados e municípios, reduzindo o seu indexador.

Vale ressaltar ainda que as últimas declarações de Levy vão aumentar as contestações sobre o ajuste fiscal, tanto frente à situação quanto da oposição. Para o senador José Serra (PSDB), a declaração de Levy “corrói ainda mais a credibilidade do governo”.