Disputa acirrada

Dilma ganha vantagem, mas eleição para segundo turno continua imprevisível

A petista e Aécio têm se confrontado em relação à economia, a inflação e à corrupção; além do levantamento do Datafolha, pesquisas realizadas pelo Ibope, pela MDA e pela Vox Populi também os mostram empatados tecnicamente antes do segundo turno.

SÃO PAULO – A presidente da República, Dilma Rousseff, do PT, ganhou apoio em relação ao candidato de oposição Aécio Neves (PSDB). Mas a disputa continua empatada tecnicamente menos de uma semana antes do segundo turno, segundo uma pesquisa do Datafolha publicada ontem.

Dilma tem 46% de apoio e Aécio, 43%, segundo a pesquisa da Datafolha realizada ontem e divulgada pela TV Globo. Na pesquisa anterior da Datafolha, publicada no dia 15 de outubro, a petista tinha 43%, contra 45% do tucano. A presidente conseguiu 42% no primeiro turno da eleição, no dia 5 de outubro, contra 34% do adversário.

Os dois candidatos têm se confrontado em relação à economia, a inflação e à corrupção. Pesquisas realizadas pelo Ibope, pela MDA e pela Vox Populi também os mostram empatados tecnicamente antes do segundo turno, que será no dia 26 de outubro. Enquanto Aécio promete reduzir a inflação para colocá-la dentro da meta e impulsionar o crescimento, a candidata à reeleição diz que as políticas de seu adversário ameaçam as taxas de desemprego, que estão em uma baixa recorde, e os investimentos em programas sociais. A pesquisa de ontem mostra que os contínuos ataques de Dilma contra Aécio estão atraindo eleitores, embora esses mesmos eleitores preferissem ouvir propostas, segundo Thiago de Aragão, sócio e diretor de estratégia da Arko Advice.

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“Eles foram influenciados na semana passada pelos ataques de Dilma, embora a maioria não queira ver esses ataques”, airmou Aragão. Os eleitores “querem ver propostas, mas claramente os ataques funcionaram e o resultado está aí”. 

A pesquisa de Datafolha também mostrou que Dilma tinha 52% dos votos válidos e Aécio, 48%, contra 49% e 51%, respectivamente, na pesquisa de 15 de outubro. Os votos válidos excluem brancos e nulos e votantes indecisos.

Vox Populi, Ibovespa

A pesquisa do Datafolha ouviu 4.389 pessoas e tem uma margem de erro de dois pontos porcentuais para mais ou para menos. O Datafolha não realiza pesquisas a pedido de partidos ou políticos, segundo um e-mail de seu diretor, Mauro Paulino.

Uma pesquisa do Vox Populi também publicada ontem mostrou que Dilma tem 46% de apoio e Aécio, 43%, segundo consulta realizada nos dias 18 e 19 de outubro com 2.000 pessoas. A pesquisa tem uma margem de erro de 2,2 pontos porcentuais para mais ou para menos. Em termos de votos válidos, Dilma tem 52%, contra 48% de Aécio. O Vox Populi realiza pesquisas para a campanha de Dilma, segundo um assessor de imprensa que não pode ser identificado devido à política interna.

Uma pesquisa da MDA publicada ontem mostrou que Dilma tem 45,5% de apoio e Aécio, 44,5%, segundo a consulta realizada nos dias 18 e 19 de outubro encomendada pela Confederação Nacional do Transporte, CNT, que tem uma margem de erro de 2,2 pontos porcentuais.

O Ibovespa, que subiu 21% em relação à maior baixa em cinco anos registrada em março quando o apoio a Dilma começou a diminuir, caiu 2,6% ontem. O real enfraqueceu 1,2%, para 2,4643 por dólar americano.

Petrobras, economia

Em um debate televisivo, domingo à noite, os candidatos trocaram farpas sobre a economia. Aécio disse que a expectativa é que o crescimento seja praticamente nulo neste ano e que o governo administra mal a Petrobras. A candidata à reeleição disse que a projeção de seu adversário era excessivamente pessimista e que seu governo permitiu que a investigação sobre a acusação de corrupção na Petrobras prosseguisse sem interrupção.

O ex-diretor de refino da Petrobras, Paulo Roberto Costa, disse que coletou subornos de fornecedores que ganharam contratos na empresa estatal e distribuiu parte do arrecadado para partidos políticos. A Petrobras é uma “vítima” na investigação e está colaborando com as autoridades, disse a empresa em um comunicado, no dia 9 de outubro.

A economia do Brasil teve uma contração de 0,6% no segundo trimestre após encolher um total revisado de 0,2% durante os três primeiros meses do ano. Os analistas consultados pelo Banco Central no dia 17 de outubro estimaram que o segundo maior mercado emergente do mundo crescerá 0,27% neste ano, o que seria o pior desempenho desde 2009.